Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
No bairro Novo Buritizal, na Zona Sul de Macapá, o tempo e o clima impõem uma rotina severa à casa de madeira onde vive a família Monteiro. Quem olha por fora percebe de imediato os sinais de desgaste, como paredes de tábua substituídas às pressas por folhas de telha, lonas estendidas para conter as goteiras nos dias de chuva e o ataque silencioso dos cupins que consomem a estrutura. Ao cruzar a porta, revela-se uma história marcada por proteção, afeto e a luta diária de um pai em busca de dignidade para os seus.
Aos 53 anos, Raimundo Monteiro dos Santos cria sozinho seis filhos. Abandonado pela ex-companheira, ele assumiu para si a responsabilidade integral do lar. Sem emprego fixo, vive da incerteza dos bicos na construção civil. Quando surgem oportunidades na semana, trabalha com empenho; quando o movimento cessa, a preocupação bate à porta. Ainda assim, Seu Raimundo mantém uma postura firme diante das adversidades.
“Eu sou um pai e nunca vou trocar meus filhos por ninguém. Tenho o maior carinho por eles, assim como sei que gostam de mim. Enquanto eu tiver vida e saúde, minha missão é ajudar minha família”, afirma.

Raimundo Monteiro tem 53 anos e foi abandonado pela então companheira. Fotos: Rodrigo Índio/Portal SN

Elisângela tem 17 anos, e sofre de deficiência intelectual e ainda não sabe o sexo da criança
A residência traz a memória afetiva de sua mãe, já falecida, que não teve a chance de reformar o imóvel. Hoje, a casa enfrenta um processo acelerado de deterioração, e parte dos cômodos nos fundos já desabou, exigindo arranjos improvisados para acomodar a cozinha, a pia e o banheiro.
Na geladeira, mantida fechada com o auxílio de uma liga elástica, há apenas garrafas de água, um pedaço de mortadela e pouquíssimas verduras. O botijão de gás acabou, o fogão mostra as marcas do ferrugem e o alimento na mesa depende da solidariedade de vizinhos e do valor incerto de cada dia trabalhado.
A rotina noturna da família exige mais uma adaptação. Em um único quarto, os seis filhos dividem a mesma cama para dormir, enquanto Seu Raimundo descansa na rede ao lado. Uma geladeira fora de uso cumpre o papel de armário para guardar roupas e pertences.

Geladeira quase vazia só fecha com liga elástica

Estado avançado de deterioração

Com risco de acidentes, especialmente para a filha gestante
A vulnerabilidade se intensificou nos últimos meses com a gestação da filha Elizângela Ribeiro Monteiro, de 17 anos. Menina com deficiência intelectual, ela se relacionou com um rapaz que sumiu. Grávida de cerca de oito meses, Elizângela ainda não sabe o sexo do bebê, pois a primeira ultrassonografia realizada no início do pré-natal não revelou a informação.
Sem recursos para arcar com um novo exame na rede privada ou aguardar a fila do sistema público a tempo, a família busca apoio para realizar o procedimento e providenciar os itens básicos do enxoval, como fraldas, leites e roupinhas.

Raimundo: casa precisa de madeira, telhas e pregos
Como ajudar a família
Diante da urgência do cenário, Seu Raimundo Monteiro dos Santos pede auxílio com humildade. As necessidades vão além da alimentação imediata e dos suprimentos para o bebê, cobrindo também materiais de construção — a exemplo de madeira, telhas e pregos — para tentar estabilizar a estrutura da casa antes das próximas chuvas.
“Toda ajuda que chegar será bem-vinda e abençoada. O que estiver ao alcance das pessoas para nos apoiar, eu só tenho a agradecer”, conclui.
*Canais diretos para doações e contato*
• Chave PIX: 05719130241
• Nome da titular: Alessandra M. dos Santos (sobrinha)
• WhatsApp para contato: (96) 99153-0251
