Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Mesmo alegando pagar pontualmente até R$ 600 mensais por um plano de saúde desde o nascimento do filho, a família do pequeno Tiago Sanches de Oliveira, de apenas 5 anos, denuncia estar enfrentando o desespero de ver o menino desassistido no Hospital São Camilo, em Macapá. De acordo com os pais, a unidade não dispõe de médicos especialistas nem dos medicamentos adequados para tratar o garoto, que deu entrada caminhando normalmente, com dores na perna, e, após 24 dias de internação, perdeu a capacidade de andar.
A mãe, a biomédica Jamile Pedroso Sanches, e o pai, o fisioterapeuta Jhony Monteiro, afirmam que o filho enfrenta picos diários de febre, recebe doses de morfina a cada quatro horas e corre risco iminente de infecção generalizada (sepse), enquanto a operadora do convênio e o hospital demoram a autorizar a transferência urgente para um centro de referência em Curitiba (PR).
Conforme o relato dos pais, Tiago deu entrada no pronto atendimento para avaliação com especialistas. Contudo, a consulta com o ortopedista teria ocorrido apenas cinco dias após a internação — momento em que o garoto já não conseguia sentar ou andar.

Tiago chegou andando ao hospital…

…mas cinco dias depois tinha perdido os movimentos
O quadro inicial de artrite séptica evoluiu para uma osteomielite grau 2 no quadril, infecção grave no osso. O menino passou por cirurgia, mas o estado de saúde seguiu se deteriorando. A família aponta que laudos médicos confirmam a presença de dois micro-organismos já resistentes aos antibióticos ministrados.
A mãe denuncia também a falta de antibióticos venosos indicados para o caso, como o Bactrim venoso, e relata que a unidade chegou a disponibilizar a versão oral do medicamento, considerada inadequada para a gravidade do quadro.
“O meu filho entrou andando aqui. Hoje ele está sem andar, com febre todo dia, tomando morfina de quatro em quatro horas. O hospital não tem infectologista, não tem médicos suficientes e não tem os remédios prescritos. Estão fazendo apenas um tratamento paliativo”, desabafa Jamile.

Mãe e biomédica Jamile acusa o hospital de não fornecer os antibióticos prescritos pelos médicos
Os pais relatam ainda que o acesso venoso central instalado recentemente no menino corre risco de obstrução por ter sido inserido em calibre menor do que o necessário para a vazão de medicamentos e analgésicos. A denúncia apresentada pela família aponta que o Hospital São Camilo não dispõe de UTI pediátrica nem de infectologista pediátrico de plantão, além de restrições para a realização diária de exames de ultrassonografia pediátrica para controle de infecção.
Pedido de transferência
Diante do risco de vida, o médico assistente emitiu parecer com a solicitação médica de transferência urgente de Tiago para o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), referência nacional em infectologia e ortopedia pediátrica.
A família afirma manter os pagamentos mensais do convênio (Plano PAS/São Camilo) em dia, alcançando o valor de até R$ 600,00 por conta das taxas de coparticipação. Contudo, alega que tanto o hospital quanto a operadora vêm protelando a liberação da transferência e do transporte aéreo sob justificativas financeiras ou de comunicação.

Hospital e o plano São Camilo são acusados de demorar para autorizar a transferência. Fotos: Rodrigo Índio/Portal SN
“O contrato é claro: quando a unidade local não tem capacidade de atender o beneficiário, o plano deve arcar com a transferência para outra unidade. O médico foi taxativo ao dizer que, se ele não sair daqui em até cinco dias, corre risco real de sepse. Não queremos que nosso filho padeça ou perca a vida por economia do plano”, cobra a mãe.
Diante do agravamento e da iminência de complicações irreversíveis, os pais recorreram às redes sociais e à imprensa local para mobilizar a sociedade. O objetivo é cobrar providências da direção do Hospital São Camilo e da operadora do Plano PAS, além de acionar órgãos de fiscalização e proteção dos direitos da criança, como o Ministério Público do Estado do Amapá e a Defensoria Pública.
O outro lado
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa e a direção do Hospital São Camilo, em Macapá, bem como com a operadora do Plano PAS/São Camilo, para solicitar esclarecimentos. Até o fechamento desta matéria, nenhuma das instituições havia enviado resposta oficial. O espaço permanece aberto para manifestação.

