Morre professor que teve remédio de R$ 25 mil negado pela Justiça

Aluízio Pinto de Abreu enfrentava doença pulmonar rara. O educador dedicou 35 anos ao ensino público e teve tratamento negado após parecer de junta médica
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

Após meses de uma dolorosa e pública batalha pela vida e pelo direito à saúde, morreu nesta sexta-feira (16), em Macapá, o professor aposentado Aluízio Pinto de Abreu, de 68 anos. Ele lutava contra a fibrose pulmonar idiopática, uma doença rara, progressiva e sem cura, e teve o fornecimento de um medicamento de alto custo negado pela Justiça Federal.

Nas últimas semanas, o quadro clínico do educador sofreu uma severa piora. Com o avanço da rigidez nos tecidos pulmonares, Aluízio passou a depender integralmente do auxílio de aparelhos para conseguir respirar, até não resistir às complicações da doença.

A trajetória de Aluízio ganhou repercussão no Amapá em maio deste ano. Na ocasião, em entrevista ao Portal SN, o professor — que dedicou 35 anos de sua vida à educação pública e especial no estado — desabafou sobre a decisão judicial que negou o medicamento prescrito por sua pneumologista, avaliado em cerca de R$ 25 mil mensais.

Fotos: Elder Abreu

A medicação não prometia a cura, mas funcionava como um “freio” no avanço da doença, garantindo mais tempo e qualidade de vida. Contudo, a negativa do Sistema Único de Saúde (SUS), confirmada pela Justiça com base no parecer de uma junta médica, considerou o tratamento “injustificável” diante do prognóstico do paciente.

“Eu não estou pedindo cura. Estou pedindo mais tempo de vida. É como se tivessem decidido que não vale a pena eu viver mais”, desabafou Aluízio na época, em trecho que comoveu a opinião pública.

A fibrose pulmonar tinha um histórico sombrio na família do professor: sua mãe, Dalila, faleceu aos 69 anos pela mesma condição, em 2006, e seu irmão, Paulo Sérgio, perdeu a vida para a doença aos 50 anos, em 2011. Impossibilitado de realizar um transplante em razão da idade, o remédio era a única esperança de Aluízio para retardar o avanço da doença.

Aluízo entre o neto e o filho, o jornalista Elder Abreu

Mesmo com a voz enfraquecida e necessitando de oxigênio contínuo, Aluízio usou seus últimos meses para transformar sua dor pessoal em um manifesto em defesa de outros pacientes com doenças raras, criticando a burocracia estatal e a falta de sensibilidade no acesso a tratamentos de alto custo.

O falecimento de Aluízio deixa enlutados familiares, amigos e gerações de alunos a quem ele se dedicou ao longo de mais de três décadas na rede pública de ensino do Amapá.

O corpo do professor está sendo velado na Funerária e Capela PrevPaz, localizada na Rua Jovino Dinoá, nº 1019, no bairro Centro, em Macapá.

O cortejo sairá no sábado (17), com sepultamento marcado para as 10h30, no Cemitério São José.

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