Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)
A repercussão de publicações contra eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já provocou consequências no Pará. Uma vereadora de Belém passou a ser investigada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), enquanto uma empresária deixou a presidência de uma tradicional instituição de ensino da capital paraense após divulgar uma mensagem de rejeição a apoiadores do petista.
Os episódios ocorreram depois do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), que terminou com a reeleição de Lula. Nas redes sociais, mensagens incentivando empresários a demitir trabalhadores por suas preferências políticas passaram a circular, levantando questionamentos sobre discriminação e assédio eleitoral.

Vereadora Pastora Patrícia Queiroz em montagem com foto do candidato derrotado Flávio Bolsonaro
Vereadora é investigada pelo MPT
A vereadora de Belém Pastora Patrícia Queiroz (PP) entrou na mira do Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá após compartilhar uma publicação que sugeria a empresários verificar as redes sociais de funcionários e considerar a demissão daqueles que manifestaram apoio a Lula. A mensagem, publicada originalmente por Victor Ruiz, candidato não eleito a deputado federal por São Paulo, dizia:
“EMPRESÁRIO, OLHA A REDE SOCIAL DO TEU FUNCIONÁRIO AI E CONFERE SE ELE FEZ O ‘L’. ACHO QUE NÃO FAZ SENTIDO NENHUM MANTER NA TUA EMPRESA QUEM ODEIA EMPRESÁRIOS”.
Patrícia, que também é pastora evangélica, compartilhou o conteúdo em seu perfil no Instagram. A parlamentar ainda republicou um vídeo de um empresário que relacionava a demissão de uma funcionária ao posicionamento político dela.

MPT iniciou apuração das denúncias contra a parlamentar
O MPT confirmou nesta terça-feira (27) que iniciou a análise das denúncias envolvendo a vereadora. O órgão informou que o procedimento seguirá os trâmites legais, garantindo o direito de defesa e a apuração dos fatos.
A legislação brasileira proíbe que trabalhadores sejam discriminados por suas convicções políticas. Dependendo das circunstâncias, uma demissão motivada exclusivamente pela preferência eleitoral pode resultar em indenização e outras consequências judiciais. Até a divulgação das informações consultadas, não havia posicionamento público da vereadora sobre a investigação.
Empresária renuncia após publicação contra petistas
Outra publicação que ganhou repercussão no Pará provocou a saída de Ana Celeste Franco da presidência do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos (CCBEU), instituição tradicional de ensino de inglês em Belém. Ana Celeste publicou uma mensagem afirmando que não pretendia consumir produtos ou contratar serviços de pessoas identificadas com o Partido dos Trabalhadores.

Ana Celeste Franco renunciou à direção de centro de idiomas
“Se eu sou sua cliente e você é petista, me informe! Meu dinheiro eu não gasto com você”, escreveu.
A publicação foi apagada após a repercussão negativa. Na segunda-feira (26), o CCBEU anunciou oficialmente que recebeu e aceitou o pedido de renúncia da então presidente.
Em nota, a instituição destacou que manifestações individuais não representam seu posicionamento institucional e reafirmou o compromisso com o respeito à diversidade de opiniões e à convivência democrática. O vice-presidente Thiago Lima assumiu a presidência da entidade.
Brasil registra quase duas mil denúncias de assédio eleitoral Os episódios no Pará ocorrem em um momento de aumento das denúncias de assédio eleitoral no país. Segundo dados divulgados pelo Ministério Público do Trabalho nesta terça-feira (27), foram registradas 1.937 denúncias em todo o Brasil até segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno das eleições.
Desse total, 946 denúncias foram recebidas no período entre o primeiro e o segundo turno. Durante o processo eleitoral, o MPT também ajuizou 59 ações civis públicas relacionadas ao tema. A legislação assegura aos trabalhadores o direito de escolher livremente seus candidatos, sem sofrer ameaças, constrangimentos ou perseguições no ambiente profissional.
