‘Não ajudar fodido se for petista’: empresário que incentivou demissão de eleitores é investigado

Publicação no Instagram defende demissões por preferência política e boicote econômico à população nordestina; MP determinou preservação das provas digitais
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Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

Um empresário de Macapá virou alvo de uma investigação do Ministério Público Eleitoral após a divulgação de mensagens com ataques a eleitores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à população nordestina. Em uma publicação no Instagram, Geraldo Biondi incentivou empresários a demitirem funcionários petistas, defendeu o isolamento social de apoiadores do partido e sugeriu um boicote econômico ao Nordeste. Depois da repercussão negativa, as postagens foram apagadas. A abertura da investigação foi determinada nesta terça-feira (27) pela procuradora regional eleitoral Sarah Teresa Cavalcanti de Britto.

A publicação foi feita após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). No conteúdo divulgado pelo perfil @geraldobiondi, o empresário anunciou uma espécie de nova campanha contra os eleitores do PT. “A campanha agora é outra”, escreveu, antes de apresentar uma série de recomendações direcionadas a empresários e pessoas contrárias ao resultado das urnas.

“Empresários, demitam seus funcionários petistas, ele não gosta de ti, da tua empresa e muito menos do Brasil”, diz um dos trechos da mensagem. Em seguida, o texto orienta que simpatizantes do partido não recebam ajuda, nem mesmo para conseguir emprego.

“Não ajudar um fodido se for petista, deixa ele sobreviver do bolsa família, não procura emprego pq não gosta de trabalhar”, acrescenta a publicação.

Os ataques também foram direcionados à população nordestina, região onde Lula obteve expressiva votação. Biondi defendeu que as pessoas deixassem de viajar para o Nordeste como forma de punição econômica aos moradores.

“Não viajar para o nordeste, deixar esse povo burro aprender de vez da pior forma possível”, afirma outro trecho da postagem.

O empresário ainda recomendou o rompimento de relações pessoais com eleitores petistas.

“Não ter amizade com petista, não importa quem seja o petista”, escreveu. Na sequência, associou os apoiadores do partido a criminosos e encerrou a mensagem com palavrões dirigidos a quem questionasse sua postura.

Empresário que também se identifica como instrutor de tiros apagou as postagens

POSTAGENS APAGADAS

Após a repercussão do conteúdo, as publicações foram retiradas do perfil. A exclusão, entretanto, não impediu que o material chegasse ao Ministério Público Eleitoral, que recebeu denúncias sobre as manifestações e decidiu instaurar um procedimento para apurar os fatos. As declarações podem configurar crime de discriminação ou preconceito, com pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

Uma das primeiras medidas determinadas pela procuradora Sarah Cavalcanti foi a preservação das provas digitais. O Ministério Público ordenou o registro do conteúdo por meio da ferramenta Verifact, capaz de documentar publicações na internet e reunir informações sobre horários, identificação do perfil e sequência das mensagens divulgadas nos stories.

A providência busca evitar que a exclusão voluntária das postagens ou o desaparecimento automático dos conteúdos comprometa a investigação. Os registros deverão permitir a análise das manifestações mesmo depois de sua retirada do Instagram.

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