Com pés dormentes e guiado pela lua, velejador supera 518 km e revela “luta contra o tédio”

Eliton Franco enfrentou cansaço, escuridão e obstáculos no rio durante mais de 16 horas de percurso ininterrupto; feito será analisado para possível reconhecimento internacional
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Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

Foram 518 quilômetros percorridos sobre as águas do Rio Amazonas, cerca de 16 horas de esforço físico e nenhuma parada para descansar, comer ou atender a outras necessidades. O velejador amapaense Eliton Franco, de 49 anos, concluiu uma prova de resistência que pode colocar seu nome entre os recordistas mundiais do kitesurf. A façanha foi realizada em frente à cidade de Macapá, sob acompanhamento de uma empresa certificadora internacional, responsável por avaliar os dados para um possível reconhecimento do recorde em ambiente fluvial.

O desafio começou às 8h20 de segunda-feira (26) e terminou por volta de 0h19 de terça-feira (27). Durante todo esse período e carregando um localizador por satélite, Eliton velejou em movimento circular. Além do desgaste muscular, precisou enfrentar as condições do Rio Amazonas, a redução da visibilidade durante a noite e uma batalha psicológica para resistir à vontade de interromper a prova.

“Consegui aguentar a dormência nos pés, mas foi mais difícil lidar com o tédio. Com meu cérebro mandando eu parar”, explicou ele ao Portal SelesNafes.Com.

Eliton iniciou a jornada às 8h20…

…percorreu 518 km em círculos na frente da cidade de Macapá…

A chegada da noite trouxe dificuldades adicionais. Em determinado momento, o velejador decidiu se desfazer de uma lanterna pesada que estava atrapalhando seus movimentos. Sem o equipamento, passou a depender da iluminação natural para identificar obstáculos à frente.

“Fiquei só com a lua, mas tinha muita nuvem no céu. Por isso bati em alguns pedaços de madeira que flutuavam no rio”, acrescentou.

Experiência em longas travessias

Eliton já havia demonstrado resistência em outras aventuras de grandes proporções. Em uma delas, percorreu 2.612 quilômetros entre Natal, no Rio Grande do Norte, e Macapá, durante 18 dias. Em outra expedição, saiu de Belém, no Pará, e chegou à capital amapaense depois de navegar 612 quilômetros em quatro dias. A diferença é que, nessas ocasiões, o atleta realizou paradas estratégicas para descansar e recuperar as forças.

Percurso foi monitorado em tempo real

Uma dessas viagens ficou marcada por uma experiência assustadora na região do Marajó. Durante a travessia, Eliton precisou passar a noite sozinho em uma área deserta, temendo a presença de onças. Na ocasião, chegou a prometer que nunca mais enfrentaria aventuras semelhantes. A decisão, porém, durou pouco. Assim que chegou a Macapá, a vontade de voltar à água falou mais alto. 

Desta vez, a proposta era diferente. O amapaense queria superar a marca de distância percorrida de forma ininterrupta por outro velejador em ambiente marinho, mas realizando a prova nas águas de um rio. Para isso, precisava manter o equipamento em movimento durante toda a jornada, sem desembarcar ou interromper o percurso. Eliton foi monitorado por equipes em terra e no rio.

Por enquanto, ainda não foi anunciado oficialmente que ele tenha alcançado o recorde.  

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