Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Aos três meses de vida, a pequena Zoe depende de cuidados constantes para sobreviver. Nascida prematura, a bebê passou por uma traqueostomia, procedimento que permite a passagem de ar diretamente pela traqueia, e se alimenta por sonda. Em casa, no bairro Pacoval, na zona leste de Macapá, a família enfrenta outra dificuldade: está há três meses sem energia elétrica e pede ajuda para garantir condições básicas de cuidado à criança. Procurada pela reportagem, a Equatorial informou que fez o levantamento e que encaminhará um fiscal ao local “para entender a dificuldade no atendimento”.
A família mora em uma casa de madeira, numa área de passarelas da Avenida Maranhão. O imóvel foi comprado pelo avô da bebê, Enivaldo da Silva, de 50 anos, que saiu do arquipélago do Bailique e juntou as economias para dar um lar aos familiares. Ao chegar ao endereço, porém, encontrou a residência sem energia elétrica. Desde então, afirma ter procurado diversas vezes a CEA Equatorial para solicitar a ligação, mas continua esperando.

Enivaldo, o avô, já procurou a Equatorial e aguarda posicionamento. Fotos: Rodrigo Índio/Portal SelesNafes.Com

Zoe precisa de muitos materiais…

…mas a família não consegue recursos suficientes
“Já fui várias vezes, eles me falam só isso daí, toda vez dizem que vêm ligar em cinco dias”, contou Enivaldo.
Enquanto aguarda uma solução, a família depende da solidariedade de vizinhos para manter funcionando o aspirador utilizado nos cuidados respiratórios de Zoe. Sem eletricidade, a casa fica abafada, e a bebê enfrenta o calor intenso sem ventilador ou ar-condicionado. A falta de energia também impede o uso da geladeira e dificulta o acesso à água em condições adequadas, segundo os familiares.
“Ela precisa de energia. Com essa quentura que está aqui, seria bom energia para ligar pelo menos um ventiladorzinho”, desabafou o pai, Lucas Leal, que trabalha como repositor em um estabelecimento comercial.

Aparelho que ajuda na respiração precisa de energia
A mãe, Joely dos Reis Mourão, também relata a angústia de ver a filha enfrentando o calor e as dificuldades provocadas pela falta de estrutura. Além da energia elétrica, a família precisa de materiais essenciais para os cuidados diários da criança, como gazes, medicamentos, seringas, sondas, fraldas, água e leite.
Segundo Joely, nem sempre os materiais estão disponíveis nas unidades de saúde. Quando isso acontece, a família precisa recorrer às farmácias, mesmo com o orçamento apertado.
A mãe conta que, conforme informações repassadas pelos médicos, Zoe sofreu falta de oxigênio ao nascer, o que provocou comprometimento cerebral. A bebê ainda precisa passar por novos exames para que a equipe médica avalie quando será possível retirar a cânula da traqueostomia. Até lá, os cuidados são permanentes.

Avô comprou a casa para ajudar a família

Ele afirma ter ido 3 vezes à empresa
O drama também afeta o avô. Enivaldo passou recentemente por uma cirurgia de hérnia de disco, mas já voltou a fazer bicos como ajudante de pedreiro para contribuir com as despesas da casa. Emocionado, ele afirma que, apesar dos esforços, o dinheiro não é suficiente para atender a todas as necessidades da família.
“Se a gente não trabalhar, não supre a necessidade da gente. Então é por isso que me dói”, disse.
Para Enivaldo, a ligação da energia elétrica é a necessidade mais urgente. Ele espera que a concessionária resolva a situação para que a neta tenha condições mais adequadas de receber os cuidados de que precisa.

Zoe tem sido auxiliar por vizinhos que têm energia em casa
Como ajudar
Quem quiser contribuir com a família pode fazer uma transferência via Pix para o número (96) 98410-2983, em nome de Joseane Carvalho dos Reis. O mesmo número está disponível para contato pelo WhatsApp.
A família mora na Avenida Maranhão, nº 1635, no bairro Pacoval, em uma área de passarelas.

