Criado pela avó, menor infectado em estupro se reaproximou da mãe para pedir ajuda

Delegada Clívia Valente investiga o caso. Adolescente foi abusado pelo próprio primo desde os 11 anos e precisou ser internado
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Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)

A vergonha de contar o que havia sofrido fez com que um adolescente de 12 anos permanecesse em silêncio durante anos sobre os abusos sexuais que teria sofrido do próprio primo, hoje com 27 anos. O crime, que começou quando a vítima tinha 11 anos, só chegou ao conhecimento das autoridades depois que o menino apresentou graves problemas de saúde, provocados por uma infecção sexualmente transmissível (IST). O quadro se agravou a ponto de exigir internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança e do Adolescente, em Macapá.

Os bastidores da investigação foram revelados ao Portal SelesNafes.Com pela delegada Clívia Valente, da Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Contra Criança e Adolescente (Dercca). O adolescente foi criado desde pequeno pela avó paterna, a quem chamava de mãe. Já doente e bastante abatido, ele procurou recentemente a mãe biológica para passar um fim de semana com ela. A suspeita é de que a reaproximação tenha sido uma tentativa de encontrar coragem para revelar o que havia acontecido.

Primo de 27 anos preso ontem (3) Foto: PC/Divulgação

A avó, já bastante idosa, só tomou conhecimento da violência quando o adolescente estava com a saúde seriamente comprometida. De acordo com a delegada, o menino sentia vergonha de contar sobre os abusos à mulher que o havia criado, que só ficou sabendo da situação por outras pessoas, quando o neto já precisava de atendimento hospitalar.

Revelação tardia comprometeu atendimento

Um dos pontos mais delicados da investigação, segundo Clívia Valente, foi a demora para que a violência chegasse ao conhecimento dos responsáveis e das autoridades. Por causa disso, o adolescente não recebeu, no período adequado, o protocolo de atendimento destinado às vítimas de violência sexual, que inclui exames, medicamentos preventivos e acompanhamento médico.

Delegada solicitou a prisão preventiva do primo. Fotos: Leonardo Melo/Portal SelesNafes.Com

Até agora a polícia não tem conhecimento da existência de outras vítimas

Quando a situação finalmente foi descoberta, o adolescente já apresentava um quadro grave, com complicações pulmonares e necessidade de internação. A partir daí, passou a receber tratamento específico para a doença diagnosticada.

Por questões de sigilo e proteção da vítima, a delegada não revelou qual infecção sexualmente transmissível foi identificada. Ela informou apenas que o adolescente continua em acompanhamento médico, está recebendo medicamentos e apresentou melhora no estado de saúde.

Primo foi preso no Buritizal

A investigação começou depois que a mãe biológica do adolescente procurou a Polícia Civil para denunciar os abusos. Durante as diligências, os investigadores identificaram o primo da vítima, de 27 anos, como suspeito dos crimes. Segundo a polícia, ele morava no mesmo imóvel onde a violência teria ocorrido.

Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito. Ele foi localizado por equipes da Dercca no bairro Buritizal, na zona sul de Macapá, e encaminhado ao sistema prisional. A prisão foi mantida após audiência de custódia.

A Polícia Civil também apurou que o adolescente teria relatado os abusos a familiares na época dos fatos, mas nenhuma providência foi tomada naquele momento. Segundo a delegada Clívia Valente, até o momento não foram identificadas outras vítimas.

O homem preso não possuía antecedentes criminais.

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