Macapá (AP)
Um projeto social criado por um escritório de advocacia completou quatro anos de atividades com a marca de 151 toneladas de alimentos doados a famílias em situação de vulnerabilidade no Amapá e no Pará. O Norte Sem Fome, mantido pelo escritório Sousa Advogados, comemorou o resultado neste sábado (7), durante uma programação no Instituto Acolher Macapá, localizado no bairro Pacoval. Criada em outubro de 2022, a iniciativa utiliza parte dos honorários recebidos pelo escritório para financiar a compra de alimentos destinados a comunidades carentes.
A ideia surgiu da realidade encontrada pelo advogado Jonas Sousa durante o atendimento a clientes que buscavam aposentadorias, benefícios por incapacidade ou assistência social. Muitos chegavam ao escritório enfrentando dificuldades financeiras e sem alimentos suficientes em casa. Enquanto aguardavam a análise de processos que poderiam levar meses ou anos, essas famílias precisavam de ajuda imediata.

Muitos clientes chegavan ao escritório passando necessidades

Projeto teve adesão e se espalhou para além do Amapá
“Nós estávamos trabalhando para garantir um direito que poderia demorar meses ou até anos, enquanto aquela família precisava comer naquele mesmo dia”, lembrou. A experiência deu origem à frase que se tornou o lema do projeto: “A Justiça pode demorar, mas a fome dói hoje”.

Jonas Sousa (primeiro à direita) na celebração dos 4 anos: “não temos a pretensão de acabar com a fome sozinhos”
Inicialmente, as doações eram realizadas diretamente nas comunidades. Com o crescimento do projeto, o escritório passou a trabalhar em parceria com igrejas, associações e instituições sociais, responsáveis por identificar as famílias mais necessitadas e distribuir os alimentos.
“Ninguém conhece melhor essa realidade do que as pessoas e instituições que já vivem e trabalham diariamente nessas comunidades”, explicou. O projeto afirma não possuir finalidade político-partidária ou eleitoral.
Doações chegam ao interior
Ao longo dos quatro anos, o Norte Sem Fome chegou a bairros de Macapá, comunidades urbanas e rurais de Laranjal do Jari e municípios paraenses, como Ananindeua. Parte das doações também foi destinada a comunidades ribeirinhas, onde as dificuldades de transporte e acesso a serviços tornam ainda mais desafiador o atendimento às famílias.
“Quando falamos de combate à fome na Amazônia, precisamos lembrar que nossa população não está apenas nas cidades”, destacou o advogado.

Projeto foi criado em 2022

Comunidades ribeirinhas do Amapá e Pará
A comemoração do aniversário ocorreu no Instituto Acolher Macapá, coordenado pelo pastor Luiz Neto e pela missionária Liliane Góes. A instituição atende aproximadamente 200 crianças com atividades de artes marciais, música e tecnologia, incluindo inteligência artificial. Segundo os organizadores, o pastor desenvolve trabalhos sociais há cerca de 20 anos. Jonas Sousa ressaltou que a proposta do Norte Sem Fome é fortalecer iniciativas que já possuem atuação nas comunidades.
“Nosso objetivo não é assumir o protagonismo do trabalho dessas pessoas, mas contribuir para que elas possam continuar ajudando suas comunidades”, afirmou.

Comemoração ocorreu no Instituto Acolher

A ideia é incentivar outras empresas a aderir ao projeto
Solidariedade e inspiração cristã
O advogado explica que a iniciativa também é inspirada no ensinamento cristão de amar o próximo como a si mesmo. Segundo ele, os colaboradores do escritório participam das ações e acompanham como parte dos recursos obtidos com o trabalho jurídico é transformada em alimentos. Jonas também chama a atenção para situações em que a fome não significa necessariamente a ausência completa de comida, mas a necessidade de reduzir refeições para que os mantimentos durem mais.
“Também existe fome quando uma família tem alimentos insuficientes para realizar suas refeições. Quando precisa escolher quanto vai comer para que os alimentos durem mais”, observou.
O Norte Sem Fome pretende manter as doações por meio das instituições parceiras e incentivar a participação de outras empresas e da população.

Quem tiver ajudar com alimentos pode procurar a unidade na Avenida Ceará, 170, no Bairro do Pacoval
“Não temos a pretensão de acabar sozinhos com a fome. Mas também sabemos que nossas limitações não podem servir de justificativa para não fazer nada”, declarou Jonas Sousa.
Quem quiser contribuir pode entregar alimentos em qualquer unidade do Sousa Advogados no Amapá ou no Pará. Também é possível ajudar diretamente o Instituto Acolher Macapá, por meio do Pix [email protected]. A instituição funciona na Avenida Ceará, nº 170, no bairro Pacoval. “Qualquer alimento conta. A fome não espera”, concluiu o advogado.
