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Por SELES NAFES

Era janeiro de 2013. O Amapá vivia um clima de expectativa. O indiano Pramod Argawal era recebido com honras pelo então governador Camilo Capiberibe (PSB) para dizer que faria um grandioso investimento de R$ 120 milhões em extração de minério de ferro e siderurgia.

Oito meses depois, o governador, evidentemente entusiasmado, mandou para a Assembleia Legislativa o projeto que iria compor o cenário de um dos maiores escândalos de corrupção da história do Legislativo. A pergunta é: qual foi a responsabilidade do governo, já que era detentor do patrimônio que estava sendo negociado, leia-se Estrada de Ferro. Não existem mais deputados envolvidos? Vejamos.

Segundo o Ministério Público, o que ocorreu por trás da articulação política foi uma grande negociação envolvendo quase R$ 11 milhões em propina para o presidente da Assembleia, Júnior Favacho (PMDB), denunciado à Justiça na última segunda-feira (27). Ele também está sendo investigado num inquérito criminal pela Polícia Federal.

Janeiro de 2013: Camilo Capiberibe recebe dono da Zamin

Mas se a anuência pela Assembleia ocorreu em tempo recorde, porque o então governador Camilo Capiberibe também não fez a crítica? Afinal de contas, o que estava em jogo era um enorme patrimônio que depois foi abandonado e deixou milhares de trabalhadores quebrados, sem falar das empresas que faliram. 

O próprio promotor Afonso Guimarães, que investigou o esquema e fez a denúncia, disse que o governo do Estado deveria ter se preocupado mais em proteger os interesses do Amapá nessa questão. Mas e a oposição, onde estava? Onde estavam os órgãos de controle e fiscalização?

E se comissões permanentes da Assembleia que analisaram, votaram e aprovaram o projeto do Executivo permitindo a entrada da Zamin em apenas dois dias (no terceiro dia já estava publicada a portaria), o que motivou essa velocidade atípica dos deputados? Por que nenhum deles foi investigado? Lembrando que existem projetos que passam meses parados nas comissões.

Outubro de 2013: Júnior Favacho com o dono da Zamin, após aprovação da entrada da mineradora

O procurador geral do Ministério Público, Márcio Augusto Alves, deixou claro que outras linhas de investigação podem surgir, mas se não se surgiram até agora, é muito improvável que ainda ocorram.

Pelo menos por enquanto, vamos ficar sem essas respostas. Enquanto isso, a estrada de ferro do Amapá apodrece.   

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