Em greve, professores ocupam prefeitura de Porto Grande

Eles querem o pagamento do restante do décimo terceiro salário e do salário de dezembro
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SELES NAFES

Quase 300 professores da rede municipal de Porto Grande, cidade a 105 quilômetros de Macapá, estão em greve há dois dias. Entre outras coisas, eles reivindicam o pagamento dos 70% restantes do 13º salário e do salário de dezembro. Nesta sexta-feira (5), eles ocuparam a sede da prefeitura e fizeram um “apitaço”. 

“A paciência acabou. Já estamos há um ano nessa situação”, disse o vice-presidente do Sindicato dos Servidores em Educação do Amapá (Sinsepeap), Inaldo Júnior.

A rede municipal de Porto Grande tem mais de 500 profissionais, a maioria professores em sala de aula. O restante é pessoal de apoio. São 18 escolas, 6 anexos e 3,6 mil alunos do ensino infantil e fundamental. O custo da folha de salários é de R$ 1,380 milhão, de acordo com a prefeitura. 

Segundo o sindicato, o pagamento dos 30% do 13º salário e do mês de dezembro foi feito à revelia da classe.

“A categoria não aceitou essa proposta, mas a prefeitura não respeitou e pagou assim mesmo”,  criticou o sindicalista.

Categoria reunida em assembleia. Fotos: divulgação do movimento

Presidente do Sinsepeap, Kátia Cilene, durante a assembleia

Nesta sexta, a categoria fez um apitaço dentro da prefeitura, e depois saiu em caminhada para a sede da Secretaria de Educação de Porto Grande, para fazer um novo protesto.

O secretário de Educação da prefeitura de Porto Grande, José Wilson de Souza, diz que há diálogo com a categoria, mas deixa claro que há também uma queda de quase 50% na arrecadação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Segundo ele, em novembro de 2016, a arrecadação do Fundeb foi de R$ 1,7 milhão. Em dezembro do mesmo ano foi de R$ 2 milhões. Já em novembro de 2017 a receita teria sido de apenas R$ 1 milhão, e em dezembro de R$ 1,2 milhão.  

“Infelizmente, nesse momento, não temos condições de pagar, mas a partir do dia 21 vamos sentar para negociar um parcelamento do restante”, adianta o secretário.

Depois do protesto na prefeitura, professores seguiram em passeata até o prédio da Secretaria de Educação

Cerca de 300 professores paralisaram as atividades

A greve começou na última quarta-feira (3), após assembleia extraordinária da categoria.

“Infelizmente não temos perspectiva de receber na segunda-feira (8), que será o quinto dia útil do mês, porque não terá repasse. Só vamos encerrar o movimento quando houver uma solução”, adianta Inaldo Júnior.

O ano letivo de 2016, em Porto Grande, ainda caminhava para o encerramento quando a greve foi iniciada. Como as aulas só começaram em abril, o calendário se estenderia até 31 de janeiro. 

Aulas deveriam ser finalizadas apenas no dia 31 de janeiro

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