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JÚLIO MIRAGAIA

Sendo um abono que na prática é um 13º e um 14º salários, a medida apresentada pelos deputados estaduais amapaenses na Assembleia Legislativa, em dezembro, vem dando o que falar nos últimos dias… claro, de forma negativa para a casa de leis.

Na manhã desta quinta-feira (4), um protesto foi convocado na frente da sede do poder legislativo local, capitaneada por um grupo de ativistas ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) e simpatizantes do pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro. A manifestação utilizou a justificativa dos parlamentares de que precisam se vestir com dignidade e usou do bom humor, chamando a população a doar roupas para os deputados.

O governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), declarou em entrevista, nesta manhã, seu posicionamento contrário ao projeto e adiantou que irá vetar o mesmo. A recomendação de veto também já havia sido publicada pela Ordem dos Advogados do Brasil.

Na receita da bronca popular versus interesses e privilégios de políticos, um ingrediente esteve ausente e causou estranheza: partidos políticos de esquerda, tradicionalmente envolvidos em movimentos sociais, perderam o espaço de protagonismo nas críticas da medida impopular. PSB e PSOL, agremiações com parlamentares na casa de leis, ou tiveram manifestações tímidas de indignação ou permaneceram em silêncio até o momento.

Cristina Almeida (PSB): silêncio. Fotos: Arquivo/SN

A página da deputada Cristina Almeida (PSB) até a manhã desta quinta não emitiu nenhuma nota sobre o assunto. Já o deputado Paulo Lemos (PSOL) divulgou nota em que apesar de se posicionar contrário a qualquer incremento salarial e informar que votará contra o mesmo (em caso de derrubada do futuro veto), nada diz sobre o que fará de concreto para reverter o que está em curso por seus colegas.

O parlamentar diz também que não participou da sessão extraordinária que aprovou no dia 28 de dezembro o Projeto de Lei 0257-17 que trata de conceder benefícios financeiros para os deputados.

Na política o fato é que não existe vácuo. E aproveitando o período de recesso e a falta de atenção, talvez, destes partidos para o tamanho do absurdo proposto pelos deputados da Alap, quem está momentaneamente mais bem organizado (MBL e Bolsonaro) ocupa o espaço de quem vacila.

É com muito respeito e lamentando a postura tímida desses parlamentares que este colunista acredita que é preciso fazer mais para enfrentar em tempos de crise política e econômica as medidas que fortalecem o outro lado da política: o dos que usufruem do poder para benefício próprio enquanto a população paga o pato com a crise social e a retirada de direitos.

Deputado Paulo Lemos: estava viajando no dia da votação

Na luta política em 2018, as falsas alternativas para solucionar os problemas que vivemos se fortalecem em cima desses erros. Beira o ridículo que quem canalize a indignação popular seja um deputado-presidenciável como Bolsonaro, que sempre legislou em causa própria, bem como os fatos atuais em nosso estado.

Às vezes o fogo amigo é sem querer, e abre margem para o desgaste, sem esquecer que o argumento do “todos os políticos são iguais” continue sendo um mantra na boca do povo.

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