O último apaga a luz

A volta definitiva de José Sarney para o Maranhão enfraquece ainda mais o (P) MDB do Amapá, e reduz número de candidatos com potencial
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SELES NAFES

O (P) MDB caminha para a agonia no Amapá. E não é de hoje. A volta definitiva de José Sarney ao Maranhão, para onde pediu a transferência de seu domicílio eleitoral, foi apenas o sinal mais elevado desse retrocesso.

A legenda já vinha perdendo forças com as sucessivas derrotas capitaneadas pelo ex-senador Gilvam Borges. Ele simplesmente perdeu todas as eleições majoritárias que disputou nas últimas duas décadas, mas pode se candidatar de novo este ano.

Os amargos resultados nas urnas e a influência clara da família Borges sobre os rumos do partido fizeram alguns medalhões desembarcarem do partido, como foi o caso do ex-deputado federal Jurandil Juarez, hoje no DEM, e do presidente da Câmara de Vereadores da capital, Acácio Favacho, atualmente no PROS.

Com exceção do deputado federal Cabuçu Borges, irmão de Gilvam, restaram poucos nomes dentro da legenda com densidade eleitoral, como é o caso da secretária nacional de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes.

Fátima passa a ser o nome mais forte do MDB ao Senado. Foto: Arquivo/SN

Fátima já disse que pretende disputar o Senado, mas isso vai depender basicamente de dois fatores: apoio de Waldez Góes (PDT) e permissão do próprio Gilvam, que não esconde a pretensão de disputar também o Senado.

O partido até pode ter dois candidatos, mas é natural, por se tratar de uma campanha majoritária (cara, cerca de R$ 2,5 milhões), que todos os esforços sejam concentrados em apenas um nome.  

Nos tempos fortes do PMDB: dependência continua

No ano passado, o PMDB voltou a se chamar MDB, uma tentativa de resgatar o prestígio construído na oposição ao regime militar, entre 1966 e 1979. Fora isso, o partido continua sendo o mesmo PMDB, quase sem capilaridade e extremamente dependente da vontade de Sarney, que agora vai se concentrar na eleição da filha como governadora, do neto como deputado estadual, e do filho mais velho como senador.

É claro que ele deve continuar dando uns pitacos e telefonemas por estas bandas, só que cada vez mais raramente.  

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