Famílias que perderam casas em incêndio querem retornar ao Beirol

Famílias dizem que não estão recebendo benefícios
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ANDRÉ SILVA

Nove das dezesseis famílias que perderam suas casas em um grande incêndio no Bairro Beirol, zona sul de Macapá, estão pretendendo voltar para o local. Eles dizem que algumas das famílias atingidas não estão recebendo ajuda de nenhum órgão público.

O incêndio aconteceu no dia 30 de dezembro de 2017, e deixou 98 pessoas desabrigadas no Bairro Beirol. Algumas, foram para casas de parentes, outras, recebem benefício do aluguel social pela prefeitura, e têm aqueles que sobrevivem por conta própria.

Famílias dizem que não recebem benefícios Foto: André Silva

Segundo o representante da Comissão dos Atingidos pelo Incêndio no Beirol, Lono Freitas, as famílias que ficaram sem casa vão voltar para a área do incêndio. Ele disse que nenhuma das famílias foi notificada quanto ao retorno para a área, ou não.

“O que a gente quer é que o governo, prefeitura ou sei lá quem, nos autorize a voltar para a área, para que a gente possa reconstruir com nosso próprio esforço nossas casas”, disse o representante.

“Nós vamos voltar. Ficar na rua é que não vamos. Não chegou nem um papel dizendo que a gente não pode voltar, então”, reforçou Lono Freitas.

Área onde ocorreu o incêndio Foto: André Silva

Maria de Jesus, de 53 anos, morou no local durante 23 anos. Na casa, havia ela, o marido, os filhos, alguns netos e bisnetos. Ao todo, eram 20 pessoas em uma casa de cinco quartos, sala e cozinha, tudo virou cinza.

“Queimou tudo. Ninguém teve como salvar nada. Eu estava em casa com o meu marido, atrás de casa, e, de repente, minha neta gritou: ‘vó está pegando fogo na casa da vizinha’. Foi que eu corri e depois não teve como a gente entrar. O fogo começou por cima da casa”, contou, emocionada.

Da casa, sobraram uma geladeira, que ela ainda está pagando, um freezer, um fogão e um paneleiro.

“Não pude salvar quase nada. Foi triste, muito triste”, lamentou.

A Secretaria Municipal de Assistência Social e do Trabalho (Semast) informou que o relatório oficial da prefeitura, governo e Ministério Público aponta que 16  famílias, com um total de 31 pessoas, foram atingidas pelo incêndio, das quais 9 tiveram perda total. Uma dessas famílias havia sido sorteada no Jardim Açucena e duas não quiseram o benefício, restando 13 famílias, segundo o órgão.

O secretário Lucas Abraão disse que o aluguel social tem sido pago em dia e o de abril será pago no dia 14 de abril.

Quanto ao retorno das famílias para a área do incêndio, o secretário disse que espera um posicionamento do MP, que tem organizado reuniões periódicas para discutir sobre o futuro da área.

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