Panamá: aberto para turistas brasileiros

Cidade que já foi palco de conflitos e batalhas com piratas fica na América Central, no Oceano Pacífico. Um local que precisa ser visitado
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SELES NAFES
Quem visita pela primeira vez a Cidade do Panamá, capital do país da América Central com cerca de 4 milhões de habitantes, tem a nítida impressão de que a cidade quer ser uma Dubai no ocidente. Principalmente pelos prédios projetados para serem obras de arte da arquitetura moderna.

Para todos os lados, há arranha-céus em construção. Alguns serão edifícios residenciais, hotéis e prédios comerciais. Os carros mais usados são as SUVs, inclusive pelos serviços de transportes de passageiros por aplicativos. Os táxis são sedãs esportivos.

Entrada da Cidade do Panamá, às margens do Oceano Pacífico. Fotos: Seles Nafes

A maior parte da frota de táxis é de sedãs esportivos

SUVs predominam

Cidade do Panamá tem 4 milhões de habitantes

Periferia da capital

A cidade respira desenvolvimento, impulsionada pelos royalties das gigantescas atividades portuárias. O turismo é a segunda fonte de renda, seguida do comércio e da pesca. Como entreposto mundial de mercadorias, a Cidade do Panamá absorve boa parte do que é produzido no mundo, e, como área de livre comércio (com redução de impostos), é muito comum encontrar produtos que no Brasil custam o dobro do preço.

Por isso, há muitos shoppings pela cidade e pessoas com sacolas de compras. A maior procura é pelos eletrônicos, como smartphones, notebooks, filmadoras, mas há muitos brinquedos e roupas. Como em qualquer lugar, também há a parte mais pobre e violenta do Panamá. O prático Luis Parays, panamenho, explica que a criminalidade vem aumentando junto com a migração.

No geral, no entanto, a Cidade do Panamá é um local seguro e ideal para viagens românticas ou em família. Uma orla recém-construída, chamada de Cinta Costera, era o acabamento que faltava ao cartão postal às margens do Oceano Pacífico.

Casco Viejo, com muitos hotéis…

…bares e restaurantes: restauração valorizou história e ofereceu serviços aos turistas

Ambiente interno de um dos restaurantes fica dentro de uma antiga prisão com mais de 300 anos

Em espanhol, garçonete explica o cardápio

Há vários locais para se conhecer em Casco Viejo

Quem quer curtir a parte velha da cidade tem que ir ao bairro Casco Viejo (Casco Antigo), que começou a ser reconstruído em 1671, depois que o lugar foi completamente destruído por piratas.
O bairro foi restaurado recentemente, e hoje recebe dezenas de pubs, restaurantes e hotéis que mantiveram a arquitetura original das edificações, mas por dentro estão cheios de sofisticação e bons serviços, cardápios e ambientes requintados.

Os preços não são absurdos. A média dos pratos individuais varia entre U$ 9 e U$ 20 (R$ 26 e R$ 80), dependendo do local escolhido. Em restaurantes mais luxuosos a refeição passar dos US$ 40, facilmente.
No entanto, é preciso evitar passear pela cidade, especialmente no centro, na hora do rush. O trânsito para. Os motoristas já perderam a paciência, e dirigem com a mão na buzina.

Navio Panamax passa pelo canal…

…acompanhado pelos olhares curiosos dos turistas

Monitora conta história do canal e como funciona o sistema de “esclusas”

Muitos estudantes visitam lugar

Duas das quatro locomotivas que puxam o navio para dentro da comporta

Mirante de contemplação da Mira Flores

Estação de Mira Flores

Canal
Os atrativos do Panamá não param por aí. O centenário Canal do Panamá é parada mais que obrigatória. O local levou 20 anos para ser construído e completou 100 anos em 2014.

Para entender a importância do canal, os turistas mergulham na história da região. Em espanhol (idioma oficial do país), os monitores explicam que o país foi ocupado por espanhóis até a independência conduzida por Simón Bovilar, militar que retirou do poder espanhol o Peru, Venezuela, Equador, Bolívia e a Colômbia. Este último passou a governar o Panamá.

No início do século 20, o país também queria se separar da Colômbia, mas os Estados Unidos interferiram no processo. Os americanos compraram a concessão das obras do canal e retomaram a construção.

A briga interna pelo Panamá, sempre com interferências exteriores, terminou com os assassinatos de vários líderes políticos do país. Em 1983, o general Manuel Noriegua, então comandante das forças armadas, tomou o poder. Seis anos mais tarde, o Panamá foi invadido pelos Estados Unidos. Os americanos só se retirariam do país em 1999.

Reprodução dos engenheiros durante a construção do canal

Fotos do canteiro mostram como era o trabalho.

Pequena caçamba que aparece na foto acima

Réplica de navio que faziam a dragagem do canal

Luis, prático que nos mostrou o Canal do Panamá

Cinema exibe documentário empolgante sobre a história do país e a construção do Canal do Panamá

Como na maioria dos conflitos bélicos, a principal motivação não foi ideológica. Estava em jogo o controle da navegação mercante mundial.

O Panamá fica na parte mais estreita da América Central, separando os oceanos Atlântico e Pacífico. A criação do Canal do Panamá, ao longo de 80 quilômetros, possibilitou o encurtamento das rotas mercantes em vários dias, gerando economia de milhões de dólares às transportadoras e países exportadores.

Se o Panamá um dia poderá ser uma espécie de Dubai do acidente é justamente por causa do Canal do Panamá, que foi ampliado com a construção de um canal paralelo (e mais profundo). O novo canal começou a operar em 2013, dando passagens entre os dois oceanos para os maiores navios do mundo, alguns com mais de 400 metros de comprimento, os chamados “Pós-Panamax”.

Cada embarcação dessa é capaz de transportar 13 mil contêineres. Por dia, passam pelo canal entre 35 e 40 navios.

Equipes de saúde…

…tiveram muito trabalho

Passeio
Na parte antiga do Canal do Panamá existe um centro de visitação com mirantes, museu, lanchonetes, e um cinema. O centro fica na “Esclusa de Mira Flores”, onde está uma das três comportas que se enchem de água e elevam os navios para o nível de um lago artificial (Gantum) e depois para o nível do Oceano Atlântico, corrigindo a diferença de 4 metros entre eles.

Os visitantes conseguem ver os navios entrando na Mira Flores puxados por potentes locomotivas. Depois que a comporta se fecha, o lugar é invadido por 128 milhões de litros de água em apenas 8 minutos. É possível perceber o navio subindo antes dele prosseguir para a próxima esclusa e chegar ao Oceano Atlântico em apenas 8 horas.

No museu do canal, o visitante passa por várias exposições. Uma delas mostra os operários que trabalharam e morreram de malária em duas décadas de construção. Foram centenas de mortes. Há também objetos originais usados na construção do canal, e réplicas em miniatura dos navios que dragaram o recém-construído canal.

Luis, Falcão e eu, claro, num dia pela história

No cinema, um documento empolgante sobre a construção do canal arranca aplausos dos turistas, a maioria de países do entorno, como colômbia e Venezuela. Também há muitos americanos, portugueses e alguns brasileiros.

“Canal do Panamá: uma obra colossal com resultados épicos”. Essa é a frase que encerra o documentário e termina a sessão com uma ovação que dura quase 1 minuto.


Para chegar ao Canal do Panamá, saindo de Macapá, é preciso primeiro pegar um voo até Manaus (AM), de onde decolam aviões de várias empresas para o Panamá e outros destinos. Um deles é a Copa Air Lines, na qual viajamos. A duração do voo é de apenas 3 horas e meia. Não é preciso ter visto para entrar no país.

O aeroporto de Tocumem fica a apenas 20 km do centro da cidade. Dentro do aeroporto existe um shopping center. Os preços, praticamente, são os mesmos encontrados no comércio panamenho.
Boa viagem!

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