Ela é doutora em caminhões autônomos

Aos 35 anos, engenharia elétrica foi uma das palestrantes no Congresso Mundial de Náutica
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SELES NAFES

Aos 35 anos, a mineira Juliana Parreira é mais um caso de sucesso no universo feminino. Em maio, ela foi uma das poucas palestrantes entre os mais de 400 homens de diversos países reunidos no 34º Congresso Mundial de Náutica, realizado na Cidade do Panamá. Ela é doutora em caminhões autônomos.

Formada em engenharia elétrica e fluente em vários idiomas, Juliana é a materialização de um conceito: quem tem foco e força de vontade pode chegar a qualquer lugar.

Depois de formada em engenharia elétrica, e já trabalhando para a Petrobrás, ela deixou o Brasil para morar no Canadá onde trabalha até hoje como engenharia de simulação, em Vancouver.

Atualmente, faz parte de uma equipe que desenvolve um simulador para o maior porto de carvão da África do Sul. O simulador, que vai permitir a otimização do terminal para futuras expansões, foi tema da palestra dela no congresso.

 

Caminhões sem motoristas são usados em minas em em diversas partes do mundo. Foto: Komatsu

Há um outro brasileiro envolvido no projeto, Paulo Cardoso, que é o gerente responsável. Ele atua a partir da Austrália.

Como você foi parar no Canadá?

Eu trabalhava para a Petrobrás havia cinco anos. Mas sempre tive vontade de fazer um doutorado, e escolhi o Canadá também para aperfeiçoar meu inglês, que não era bom.

Você tem doutorado em caminhões autônomos. Como foi isso?

Eu fiz a certificação de inglês que apliquei no Departamento de Mineração da Universidade de Columbia, e lá me interessei em fazer mestrado em caminhões automáticos de mina. Era um projeto australiano muito extenso, de seis anos.

Juliana Parreira: o desenvolvimento de tecnologias está abrindo muito mercado para as mulheres

O mercado já compra esses caminhões?

Sim, vários estão operando. A primeira frota já tem 10 anos, começou em 2008. Uma mina de cobre no Chile opera com 20 caminhões automáticos de 240 toneladas, cada. Outra mina de ferro na Austrália também utiliza esses caminhões. No Canadá também tem. No Brasil houve interesse, mas não foi pra frente por causa da crise de 2008.

O desenvolvimento de tecnologias é mais dominado por homens, mas isso parece que está mudando, não?

Sim. Eu estava conversando aqui no congresso com uma palestrante de 32 anos. Esse setor está abrindo mercado para as mulheres. Na minha empresa tem muitas gerentes, vice-presidente…está abrindo muito mercado mesmo.

Com Juliana no Congresso Mundial de Náutica: palestra sobre simulador em porto de carvão

Mas os principais centros de formação ficam fora do Brasil?

Eu fiz o meu curso de engenharia no Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica), em Minas Gerais. Já havia muito interesse das mulheres. Na minha época, 10 anos atrás, as mulheres foram metade das pessoas que se formaram no Cefet. Nessa última década, cresceu muito o interesse da mulher em buscar essas áreas de ciências e engenharia.

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