No Jari, polícia investiga estupros em escola e retiro de igreja

Pelo menos 9 meninas foram vítimas do zelador de uma escola que já foi preso
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SELES NAFES

A Polícia Civil do Amapá investiga uma série de estupros na cidade de Laranjal do Jari, no sul do Amapá, a 268 quilômetros de Macapá, alguns deles ocorridos durante um retiro espiritual e anos mais tarde dentro de uma escola pública. O acusado é um homem de 49 anos que foi preso no Dia das Crianças por ordem da justiça.

O caso estava parado por falta de delegados, mas foi retomado depois que o delegado Danilo D’Ávila, recém-concursado, assumiu a Delegacia de Infância e Juventude do Jari.

Os crimes começaram a ser investigados depois que cinco alunas da Escola Municipal Maria Nazaré Mineiro, todas menores de 14 anos, registraram boletim de ocorrência.

As meninas relataram que foram apalpadas em suas partes íntimas na biblioteca e no banheiro pelo zelador da escola, Rosivaldo Andrade, natural de Almeirim (PA).

Retiro espiritual

Quando a polícia foi mais a fundo na história, descobriu que o acusado fez parte de uma congregação evangélica onde também teriam ocorrido pelo menos quatro estupros. As meninas, também menores de 14 anos, teriam sido abusadas durante um retiro espiritual há sete anos.

“O diretor da escola tinha feito uma investigação particular, e descobriu que nessa igreja ele já teria sido disciplinado por casos semelhantes. Depois que fomos à igreja os fiéis se mobilizaram para discutir o caso numa reunião, mas algumas pessoas de lá, por conta própria, nos procuraram e quebraram o silêncio”, explicou o delegado.

Equipe (delegado ao centro) que investigou os casos no Jari. Foto: Polícia Civil

Silêncio rompido

Uma das pessoas da igreja é uma jovem de 18 anos. Em depoimento, ela relatou que quando tinha 11 anos o acusado também teria apalpado as partes íntimas dela durante um retiro de uma congregação pertencente à Igreja Adventista do Sétimo Dia. 

O Portal SelesNafes.Com entrou em contato com a matriz da Igreja Adventista no Amapá, mas foi informado que as congregações de Laranjal do Jari são responsabilidade da igreja no Estado do Pará.

Escola Maria Nazaré Mineiro, onde ocorreram os estupros. Foto: Reprodução

O Portal SN conversou com uma senhora que faz parte da igreja no Jari. Ela garantiu que não houve omissão, mas que a decisão de não haver um boletim de ocorrência teria sido dos próprios pais das jovens. A senhora disse ainda que os membros da igreja estão tristes com os novos fatos, e que a esposa do acusado está muito abalada. 

O delegado informou que as lideranças da igreja também serão investigadas por não terem procurado a polícia para denunciar os casos ocorridos anos atrás.

Perseguição 

Rosivaldo Andrade foi indiciado por estupro de vulnerável. Não houve conjunção carnal em nenhum dos casos da escola. O inquérito já foi enviado para o Ministério Público do Estado, que poderá oferecer ou não a denúncia. O acusado admitiu ter praticado os crimes no passado.

“Ele diz que na igreja pode ter agido assim, mas sobre a escola ele diz estar sendo vítima de perseguição, o que é uma contradição, pois as meninas não sabiam desse histórico dele”, ponderou o D’Ávilla, que preferiu não divulgar imagens do estuprador. 

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