Agentes reafirmam que advogado entregou celulares a preso no Amapá

Sindicato repudiou acusações sobre agentes que estariam monitorando advogado
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SELES NAFES

Os agentes penitenciários que estavam de plantão no Iapen, quando o advogado Washington Picanço foi acusado de entregar celulares a um detento, reafirmaram essa versão, nesta quinta-feira (8), à direção do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Amapá, que acompanha o caso. A defesa do advogado tenta inverter a denúncia responsabilizando os próprios agentes pela entrega de material ao preso.

O presidente do sindicato, Edno Santa Rosa Bentes, conversou com os agentes para entender o que aconteceu. Segundo ele, o advogado passou a ser monitorado depois que a coordenação de segurança do Iapen recebeu uma denúncia, ainda pela manhã, de que Washington Picanço iria visitar um preso às 17h com o objetivo de entregar os celulares. Os agentes teriam se organizado para fazer um flagrante.

Na entrada no complexo, o advogado, já monitorado, passou pelo detector de metais. O aparelho emitiu um alerta sonoro, mas Picanço teria mostrado apenas o próprio celular como causador do sinal.

“Os advogados não podem ser revistados. Temos cobrado do servidor que enquanto o sinal estiver apitando não é pra passar”, comentou o sindicalista.

Depois disso, o advogado se dirigiu ao parlatório, lugar destinado ao encontro entre advogados e detentos, que são isolados por uma divisória para evitar contato físico.

Momento em que Washington Picanço deixa o Ciosp do Pacoval após depoimento. Fotos: Olho de Boto

No entanto, depois disso, Picanço teria entrado na cadeia alegando que precisava ir até o centro onde ficam guardados os arquivos sobre a situação de cada detento. Lá, ele teria encontrado com o detento para repassar o material.

“Os detentos são revistados quando saem das celas. (…) Quando os agentes chegaram lá no centro para dar o flagrante já encontraram com esse detento saindo do centro. Ele foi revistado e estava com os celulares”, relatou Bentes.

A defesa do advogado e a Comissão de Prerrogativas da OAB afirmam que em nenhum momento os agentes viram Washington Picanço repassando os celulares para o preso.

“Quando o preso saiu do pavilhão de origem ele foi revistado, e como na volta, na hora de revistado de novo, ele já estava com os celulares? (…) A nossa preocupação não é que o advogado seja punido pela OAB. A nossa preocupação é que na defesa dele acusou os agentes. Nós repudiamos isso”,

Edno Bentes disse que a categoria não tem sido complacente com agentes corruptos, e lembrou que já houve prisões.

“Não compactuamos com essa situação, é a segunda denúncia contra esse advogado, que na defesa dele joga suspeita sobre toda uma categoria que tem 1 mil profissionais”, concluiu.

O sindicato encaminhará um ofício à OAB pedindo providências sobre a conduta do advogado. Washington Picanço foi liberado após depoimento no Ciosp do Pacoval, mas terá que prestar esclarecimento diante de um juiz. 

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