Símbolo de uma Era, navio é devorado pela ferrugem

Navio está parado desde 2012, quando foi recuperado judicialmente pelo governo
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RODRIGO INDINHO

O abandono do navio Comandante Solon às margens do Rio Matapi, no limite entre os municípios de Santana e Mazagão, já faz parte da paisagem da região. Segundo moradores, o descaso faz com que o consumo de drogas e acidentes ocorram no local.

Populares denunciaram que além do navio, as balsas do governo, que fazem a travessia de veículos do Rio Matapi até a Ilha de Santana, estão paradas há dois anos

O Solon operou durante o Território Federal do Amapá e o início do Estado no transporte de passageiros entre Santana e Belém (PA).

A embarcação de mais de 30 anos, que apresenta danos na estrutura, permanece sem uso desde 2012, quando foi recuperada judicialmente pelo governo do Estado após 9 anos sendo explorada indevidamente por uma empresa em outra região do país.

Embarcação fica mais deteriorada a cada dia

O Portal SelesNafes.Com esteve no local. Durante a reportagem, pessoas que não quiseram se identificar denunciaram que além do navio, as balsas do governo que faziam a travessia de veículos do Rio Matapi até a Ilha de Santana estão paradas há dois anos.

“Quem trabalha aí é uma empresa. Essas outras balsas do governo ficam paradas do lado do Solon sem prestar serviço algum e servindo de gasto pro bolso do povo. Isso faz uns dois anos. Só serve pra drogados e pro povo beber de madrugada”, denunciou uma pessoa que pediu para não ser identificada.

Retrato do abandono do tradicional navio Comandante Solon

Comandante Solon já foi um dos principais meios de ligação entre o Amapá e Pará

Comerciante há 35 anos no local, José Maria, de 55 anos, o “Serrote”, como é conhecido, diz que as três embarcações não funcionam há bastante tempo. Ele conta que já presenciou acidentes e até óbitos no local.

“Faz tempo que estão sucateadas e consumindo o dinheiro do povo. O Solon poderia ser um navio-hospital pra atender as comunidades. Aqui, já presenciei acidentes de pessoas se pendurando no navio e até óbitos, por não ter segurança pra evitar invasões. Agora tem uma empresa aí, parece”, comentou o comerciante.

Seu Serrote: “Aqui, já presenciei acidentes de pessoas se pendurando no navio e até óbitos, por não ter segurança pra evitar invasões”

Embarcação permanece sem uso desde 2012, quando foi recuperada judicialmente pelo Estado após 9 anos, sendo explorada indevidamente por uma empresa em outra região do país.

O navio, que tem 64 metros de cumprimento por 12 metros de largura, com capacidade para 555 passageiros, chegou a ficar atracado por um período em um estaleiro no Distrito da Fazendinha, mas foi saqueado.

O Comandante Solon está entre os bens e imóveis públicos que podem ser vendidos para evitar gastos com manutenção e levantar recursos para o Tesouro Estadual, podendo garantir salários e investimentos em áreas como Saúde e Educação.

Resposta do governo

A Secretaria de Estado de Transportes (Setrap) informou que somente uma balsa de grande porte faz a travessia de veículos até a Ilha de Santana. As saídas ocorrem de uma em uma hora, que é o tempo para percorrer o devido percurso. Duas outras balsas (citadas na matéria), de menor porte – que ficam paradas ao lado do Navio Comandante Solon –, são as reservas. Elas só entram em funcionamento, caso a balsa principal apresente algum tipo de problema ou precise de manutenção.

Atualmente a balsa particular de uma empresa explora o transporte até a Ilha de Santana

Com relação ao Navio Comandante Solon, a Setrap informou que está em andamento, na Secretaria de Estado da Administração (Sead), um processo licitatório para que seja feito um leilão da embarcação. Este processo já passou por uma avaliação e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para o prosseguimento da licitação.

A Setrap informou, também, que, tanto o Navio Comandante Solon, como as balsas que ficam ancoradas ao lado dele, recebem vigilância 24 horas. O posto dos vigilantes fica dentro da embarcação para evitar que ela seja depredada.

Fotos: Rodrigo Indinho/SN

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