Em carta, Capi se despede e diz que paga alto preço por conflitos do passado

Capiberibe afirma que conflito por redução dos orçamentos dos Poderes provoco "dor de cabeça infernal"
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Por SELES NAFES

O ex-candidato ao governo do Amapá na eleição de outubro, João Capiberibe (PSB), encerrou o mandato de senador nesta sexta-feira (1º) publicando uma carta nas redes sociais. No texto, ele fez um resumo de sua carreira política, e alegou ainda sofrer as consequências da guerra que travou pela redução dos orçamentos dos Poderes nos anos 1990. Ao final, responsabilizou a Justiça Eleitoral do Amapá pelo resultado da eleição.  

Capiberibe iniciou a carta lembrando da prisão em 1970, durante a Ditadura Militar, e dos anos em que morou em outros países antes de retornar ao Brasil. No fim de 1979 retornou ao país, mas foi morar em Recife (PE).

A volta definitiva a Macapá se deu apenas em 1982, ano em que ele disputou a eleição para deputado federal, mas foi derrotado. Em 1985, Capiberibe foi secretário municipal de Agricultura em Macapá, e em 1988 foi eleito prefeito da capital. Em 1994, elegeu-se para o primeiro mandato de governador, e repetiu o feito em 1998.

Na carta, Capiberibe revela que foi extremamente desgastante o embate com os Poderes e, principalmente, com a Assembleia Legislativa, que chegou a aprovar seu impeachment. A situação foi revertida por via judicial. Contudo, o conflito, disse ele, criou uma “dor de cabeça infernal” que ainda não acabou.

Em momento da campanha eleitoral de 2018: confiança na vitória. Fotos: Reprodução/Facebook

“(…) Os gastos desses poderes (Alap,Tjap, Mpe, Tce) caíram pela metade, é o que consta nos balanços gerais desses anos. Claro que isso me criou uma dor de cabeça infernal, com sequelas que chegaram aos nossos dias, como vamos poder constatar no final dessa história”.    

Capiberibe relembrou a cassação dele e de Janete por compra de votos, numa manobra organizada pelo PMDB, mas poupou na carta a pessoa que ficou com seu mandato, Gilvam Borges. Os dois fizeram as pazes na eleição passada e agora são aliados na oposição a Waldez, apesar de confessar no texto que a dor da cassação foi enorme.

O agora ex-senador pulou 2006 na narrativa, quando foi derrotado por Waldez Góes na eleição para o governo, mas lembrou que foi eleito em 2010 para oito anos no Senado. Ao chegar na parte em que narra os acontecimentos da eleição de outubro de 2018, Capiberibe diz que mesmo após a decisão do TSE, que retirou o PT de sua chapa, acreditava que poderia ganhar a eleição no domingo, mas no sábado revelou ter sido surpreendido pela decisão do TRE do Amapá eu decidiu tornar nulos os votos da chapa em função do impedimento do PT.

 

Ao lado de Gilvam Borges, principal beneficiário da cassação por compra de votos:. Capiberibe poupou o novo aliado na carta de despedida. Foto: Arquivo

“Essa decisão, propagandeada de norte a sul pelo próprio TRE, disseminou a dúvida sobre a validade dos votos dados a mim e a Janete. Tivemos um domingo caótico, tentamos pelos pouquíssimos meios disponíveis, restabelecer a verdade, mas nos foi impossível, a decisão injusta e ilegal do TRE atingiu a soberania do voto popular modificando o resultado da eleição de 2018”.

“E o futuro? O futuro ao povo pertence. A partir de hoje fico sem mandato, mas continuo na militância política, a serviço do meu partido, do Amapá e do Brasil. Finalizo declarando em alto e bom tom, tudo o que sou devo ao povo do Amapá. A esse povo generoso minha eterna gratidão”, finalizou.

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