O avanço da mulher do Amapá

Mulheres estão mais bem informadas e qualificadas, comandam 30% dos lares, mas continuam ostentando uma das maiores taxas de fecundidade do país
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Por RAUL TABAJARA, do IBGE do Amapá

Hoje, verificamos que o movimento em defesa das mulheres no Amapá, com suas diversas frentes, é proporcionalmente um dos mais intensos do País. Estão na mídia o ano todo, exercem pressão por políticas públicas que visam à melhoria da qualidade de vida das mulheres, principalmente as mais necessitadas, que são as de baixa escolaridade e renda, e, dentre essas, as que mais se destacam são mulheres negras.

Isso ocorre devido alguns grupos de mulheres já terem alcançado certo grau de organização e de reconhecimento de seus
direitos básicos de cidadã e, principalmente, de mulher.

Em decorrência dessas atuações, observamos nas últimas pesquisas oficiais que os indicadores socioeconômicos têm melhorado com uma taxa acima da média nacional para as mulheres amapaenses e isso é devido a políticas públicas implementadas nos últimos anos pelos governos Federal, Estadual e Municipal.

Nesta semana, li em uma coluna de um diário a afirmação de que as mulheres amapaenses são maiores que as de Atenas. Essa afirmativa é relativa como tudo é nessa vida, porém, linda como as mulheres amapaenses. Mas de uma coisa tenho certeza, a mãe amapaense é a maior do Brasil.

Mulheres do Amapá avançam nas profissões e estão mais bem informadas

Em 1970, a taxa de fecundidade da mãe amapaense girava em torno de 8 filhos por mulher. Essa era a maior taxa de fecundidade do país na época, e correspondia a taxas de países bem menos desenvolvidos que o nosso. Cerca de 30 anos depois, em 2000, esse indicador teve uma queda de 50 %, e as mulheres amapaenses já tinham quatro filhos em média.

Vale salientar que essa redução não ocorreu naturalmente, pois uma queda dessa proporção, em um período de tempo relativamente curto, não ocorre em um indicador tão importante como número médio de filhos por mulher. Então, o que ocorreu com as mulheres do Amapá?

Claramente a resposta que vem é a EDUCAÇÃO. A partir da metade dos anos 70, quando a televisão começou a atuar em Macapá, as mulheres começaram a ter acesso às informações da maneira de lidar com seu corpo e exigir seus direitos de mulher. Ainda no começo dos anos oitenta, começou a popularização aqui no Amapá, o que já vinha ocorrendo nos centros mais desenvolvidos, dos métodos contraceptivos, principalmente a pílula anticoncepcional, que já havia sido moda nos anos 60 nos grandes centros do país.

Lembramos também que na primeira década dos anos 80, programas de televisão como TV mulher e Malu Mulher, tiveram sua contribuição nesse despertar da mulher amapaense, porém o aumento da escolaridade e o acesso das mulheres a universidade e ao mercado de trabalho foram fundamentais nessa redução da fecundidade.

O Censo de 2010 e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada anualmente, revelam que a mulher amapaense continua com uma das maiores taxas de fecundidade do país, próximo de 3,0 filhos/mulher, enquanto no Brasil a taxa ficou abaixo de 2,0 filhos/mulher, praticamente uma taxa de reposição.

Taxa de fecundidade por mulher reduziu no Amapá, mas média ainda é alta

Essas pesquisas revelam ainda que 70 % das mulheres amapaenses entre 15 a 49 anos já tiveram filhos, hoje correspondendo em torno de 250 mil mulheres, e 57 % das mulheres que já tiveram filhos nascidos vivos, possuem 3 ou mais filhos (um pouco mais de 60 mil mulheres).

Além da redução da fecundidade, outro indicador que mostra o avanço das mulheres amapaenses nas últimas décadas é a responsabilidade pelos domicílios. Possuímos algo em torno de 220 mil domicílios, sendo que em 30 % deles as mulheres foram identificadas como responsáveis, e essa taxa é a terceira do país ficando atrás do Rio de Janeiro e o Distrito Federal.

Dentro dessa linha, observamos que dos domicílios cujo responsável é uma mulher, um terço, por volta de 23 mil domicílios, as mulheres se declararam responsáveis mesmo possuindo cônjuge, sendo essa taxa menor apenas ao Distrito federal.

Mulheres, mesmo casadas, têm ampliado espaço no comando da casa. Fotos: Cássia Lima/Arquivo SN

O avanço é também observado nos novos arranjos conjugais que são formados. No censo de 2010, verificou-se que 188 casais se declaram serem do mesmo sexo, e o que chama a atenção é que desses, casais 78 % são formados por mulheres e 22 % são casais masculinos.

Essas e outras informações fazem parte de um sistema de indicadores sobre os diversos aspectos associados ao desenvolvimento humano e social das mulheres no âmbito da família, do trabalho, da educação e elaborados a partir dos micro dados da amostra dos Censos Demográficos pelo IBGE.

O Sistema Nacional de Informações de Gênero (SNIG) é uma iniciativa da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, órgão ligado diretamente à Presidência da República. O Sistema foi desenvolvido para servir como instrumento de conhecimento da realidade das mulheres no Brasil, oferecendo subsídios indispensáveis para o planejamento e implementação de políticas públicas nesta área.

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