Por mês, 2 mil carros cruzam a Ponte Binacional e apenas 5 são brasileiros

Franceses atravessam apenas com o seguro internacional, enquanto brasileiros precisam do seguro e do visto de circulação, que não é emitido no Amapá
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Por SELES NAFES

A falta de um acordo definitivo ainda inviabiliza a utilização da Ponte Binacional, entre o Oiapoque e a Guiana Francesa, no extremo norte do Brasil. Mas só para os brasileiros. Por mês, cerca de dois mil veículos franceses atravessam a ponte contra, no máximo, cinco carros brasileiros em direção à Guiana. Os dados são da prefeitura de Oiapoque, colhidos com o serviço de aduana.

A Ponte Binacional está pronta de 2011, mas só este mês o Brasil terminou a construção da estrutura alfandegária em Oiapoque. A estrutura do lado francês está pronta há cerca de 8 anos.

Com o visto de circulação e o seguro, os brasileiros podem chegar com facilidade às praias do Caribe, dirigindo até Caiena e, de lá, pegando um dos muitos voos para as ilhas. O problema é que o visto é emitido apenas em Brasília (DF), o que deve mudar com a reabertura da representação consular em Macapá, em abril, conforme anunciou o senador Randolfe Rodrigues (Rede), na semana passada.

Mas é no sentido inverso que a ponte funciona, e muito bem, obrigado. Já é cultura dos franceses possuírem o seguro internacional, serviço de proteção que custa 175 Euros, cerca de R$ 768. Por isso, Oiapoque é uma cidade intensamente visitada por turistas europeus que cruzam o rio sem qualquer oposição do governo brasileiro. Muitos vão para Macapá ou embarcam os carros em direção à Belém (PA).

“Falta a ratificação do acordo internacional para uso da ponte. O acordo vai definir regras para transporte de pessoas, mercadorias especiais, bebidas, entre o Brasil e a França. A parte administrativa (de fiscalização) dos dois lados está pronta, mas o acordo ainda não foi feito”, explica o diretor de Relações Internacional da Prefeitura de Oiapoque, Isaac Silva.

O acordo precisa ser concluído pelo Itamaraty, Embaixada da França, Guiana Francesa e governo do Amapá.

Aduana francesa está pronta desde 2011. Fotos: Seles Nafes

Sem a ponte, as catraias de Oiapoque continuam sendo muito usadas

Além do turismo de ambos os lados, o impasse impede a exportação e importação. Oiapoque tem interesse de vender peixe, legumes, verduras, produtos de madeira e outras mercadorias para a Guiana Francesa, um mercado que continua fechado simbolicamente como a ponte.

Aliás, oito anos depois de ficar pronta, a Ponte Binacional continua isso, um belo símbolo internacional de amizade. Nada mais.

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