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Saída do diretor da Rede Amazônica no Amapá ocorre depois de mais uma leva de demissões de jornalistas
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Por SELES NAFES

O administrador Francisco Dimas não é mais o diretor regional da Rede Amazônica no Amapá. Ele foi demitido ontem (25) pela matriz, em Manaus (AM), após quase duas décadas na função. A baixa, a mais emblemática até agora na crise que assola a empresa de comunicação mais importante da Região Norte, ocorreu dias depois de uma nova lista de demissões.

Na semana passada, já tinham sido anunciadas as demissões de jornalistas de edição, cinegrafia e apresentação. A mais conhecida delas foi da apresentadora do Jornal do Amapá, Elaine Juarez, que também foi apanhada de surpresa.

Entre os demitidos, estavam jornalistas com mais de 26 anos de emissora, como a editora Liliam Souza. Um mês antes, o chefe de interior da emissora, Júlio Duarte, o funcionário mais antigo, também foi demitido.

A quilometragem dentro da emissora, aliás, parece ser o principal padrão nos desligamentos. Além do tempo de serviços prestados, todos os profissionais estão sendo substituídos por trabalhadores com salários menores que a média do mercado. A quantidade de estagiários do curso de jornalista aumentou.

Phelippe Daou na última vez em que esteve no Amapá, ao lado de Francisco Dimas, em 2013: homem de confiança

Declínio

Desde a morte do fundador da Rede Amazônia, no fim de 2016, a empresa que tem o sinal da Globo em Roraima, Rondônia, Amapá, Acre e Amazonas (matriz) passou por uma série de mudanças capitaneadas por Phelippe Daou Júnior, o único herdeiro homem do pioneiro da televisão na Amazônia.

Sob o comando de Phelippe Júnior, a empresa que estava saneada e lucrativa contraiu dívidas, atrasou salários, pagamentos de fornecedores, demitiu os ícones da emissora, os pioneiros, os sócios e os maiores salários. E quando todos pensam que as demissões cessaram, novos desligamentos são anunciados.

Indenizações

Outro fato que preocupa os funcionários, além de futuras demissões, é a forma como a empresa está pagando as indenizações. Décimo, férias, aviso-prévio e outros direitos estão sendo parcelados em até 10 vezes, incluindo a multa de 40% sobre o FGTS. A maioria dos funcionários dispensados está contratando advogados e ingressando com ações trabalhistas.

Hoje (26) pela manhã, os funcionários do Amapá foram comunicados a respeito da mudança na direção regional, e ficaram sabendo que o cargo será ocupado por uma pessoa do Sul do país.

A sede da Rede Amazônica no Amapá, no Bairro do Buritizal. Fotos: Seles Nafes

Empresa está cada vez mais vazia

O diretor que sai, Francisco Dimas, foi o que mais tempo ficou no cargo, graças à austeridade e eficiência com que conduziu a empresa durante o processo de modernização e expansão do sinal para o interior do Estado. Agora aposentado, com pouco mais de 60 anos, vai cuidar da família e da mãe, na Paraíba.

Com o quadro praticamente todo renovado e reduzido, Dimas deixa para trás colegas temorosos com o horizonte, infelizmente, repleto de nuvens escuras.  

Seles Nafes
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