Açaí: Moradores relatam diarreia e suposta trapaça de amassadeiras

Vídeo mostra que quantidade de açaí comprada é menor do que informada por estabelecimento
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Por RODRIGO INDINHO

O açaí, também apelidado de “petróleo da Amazônia”, virou notícia negativa no Amapá, e não tem nada a ver com a Doença de Chagas. Desta vez, consumidores do Bairro Congós, na zona sul de Macapá, dizem que estão sendo lesados por donos de amassadeiras que comercializam o produto na região.

Eles afirmam que, ao tentar adquirir um litro ou meio litro do produto, o consumidor recebe a embalagem solicitada com 100 ml a menos do produto. Um dos moradores chegou a gravar um vídeo onde faz o teste. Veja:

Outro morador, Nildo Costa, de 44 anos, confirmou a denúncia e aceitou fazer o desafio para a reportagem.

Ele comprou meio litro de açaí e colocou em um copo com medidor. No teste, ficou comprovado que faltavam cerca de 60 ml a 70 ml para completar meio litro. A olho nú, cerca de dois dedos separam a medida errada da correta.

Nildo Costa comprou o que seria meio litro de açaí, mas…

 

… ao colocar o produto em um recipiente…

 

… faltaram cerca de 100 ml. Fotos: Rodrigo Indinho

Saúde

Nildo Costa, que é artista plástico, ressalta que algumas amassadeiras do bairro já vendem o produto embalado. Quando o cliente chega, já recebe o produto de dentro do freezer sem saber a procedência. Isso estaria provocando complicações a saúde das crianças.

“Muitas das vezes o cliente não visualiza como foi produzido e a textura as vezes é diferente, o que não é normal. Nos bastidores do bairro, relatam que muitas batedeiras utilizam de outros produtos para aumentar o volume e engrossar seu produto. Isso é colocado de maneira irregular e acaba causando problemas de saúde para nossas crianças”, disse.

O morador relata também que o mal estar após o consumo não ocorre somente com os filhos.

“Os próprios pais sentem desconforto, reclamam de dor de barriga e diarreia. A suspeita do que ocasiona vem dessas misturas que ocorrem em algumas batedeiras do Congós. É inadmissível, precisamos de produtos de qualidade”, acrescentou.

Moradores pedem fiscalização nas vitaminosas do bairro

A população solicita que o órgão competente de fiscalização faça uma vistoria nas batedeiras de açaí, na Rua Claudomiro de Moraes. O problema pode estar ocorrendo em outros bairros, mas os moradores do Bairro Congós querem que o trabalho de fiscalização inicie por lá.

O que diz a prefeitura de Macapá

A Vigilância Sanitária de Macapá informou que faz fiscalizações constantemente em amassadeiras de açaí. E, diante do relato dos moradores, os estabelecimentos indicados serão incluídos no cronograma de fiscalização.

A vigilância pede para que a população fique atenta às normas de higiene na hora de escolher o local pra comprar o açaí. E que verifique se o local tem licença sanitária fixada em local visível. Do contrário, fazer a denúncia pelo número 98802-8906.

O que diz o governo do Estado

Sobre a fiscalização nos pontos de comercialização de açaí, o Instituto de Pesos e Medidas do Amapá (Ipem/AP) informou que eventuais irregularidades devem ser comunicadas à ouvidoria do órgão, que repassará a demanda para a equipe de fiscalização. O Ipem/AP fica localizado na Aurino Borges de Oliveira, 1278, Bairro São Lazaro, em Macapá, e funciona das 8h às 13h.

Seles Nafes
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