Pré-candidatura de empresário tensiona relações entre Rede e DEM

Josiel Alcolumbre é irmão do presidente do Congresso. Rede diz que não vê motivos para sair de cena com a boa avaliação do prefeito Clécio
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Por SELES NAFES

A pré-candidatura do empresário Josiel Alcolumbre (DEM) à prefeitura de Macapá estremeceu o grupo político liderado pela Rede Sustentabilidade e o DEM, no Amapá. Internamente, o comando da Rede já decidiu que não tem motivo para abrir mão de encabeçar a chapa que disputará a sucessão do prefeito Clécio Luís (Rede), no ano que vem.

A Rede tem dois pré-candidatos: a secretária de Saúde de Macapá, Silvana Vedovelli, e o líder do governo na Câmara de Vereadores, Caetano Bentes.

Há cerca de dois meses, no entanto, o irmão do presidente do Congresso Nacional tenta se credenciar para ser o candidato do grupo. Empresário bem sucedido no ramo de telecomunicações e pecuária, Josiel é o primeiro suplente de Davi e tem se movimentando intensamente em busca de apoio partidário, ao mesmo tempo em que procura dar visibilidade ao próprio nome, ainda desconhecido da grande massa.

Além de “atravessar” uma espécie de rodízio que definiu as candidaturas do grupo nas últimas campanhas, a aproximação de Josiel Alcolumbre do PSL incomodou fortemente os aliados.

Na semana passada, durante as comemorações pelo aniversário do Território Federal do Amapá, no Senado, Josiel posou ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PSL). Numa das fotos (na capa), o filho do presidente apontou para Josiel mostrando que o empresário poderá receber apoio do PSL, em Macapá.

Josiel e o presidente do PSL no Amapá beijam a Bandeira Nacional em evento do partido ode Bolsonaro. Foto: Seles Nafes

Josiel é o primeiro suplente do senador Davi Alcolumbre (DEM). Foto: Ascom/Senado

Na última quinta-feira (12), a executiva estadual da Rede decidiu que poderá conversar com todos os partidos, com exceção do PSL.

O que diz Josiel

Ouvido pelo Portal SelesNafes.Com, Josiel Alcolumbre disse que sua pré-candidatura não é um projeto pessoal, mas a vontade vários partidos e pessoas. Para ele, projetos políticos não devem ser pautados no desejo de protagonismo, mas no desejo de servir às pessoas como prioridade.

“Ainda é muito cedo para falar em coligações ou em separações. Se minha candidatura for confirmada, é porque atende ao desejo de muitos, com boas ideias, e ótimas intenções, e diante desse quadro, acho difícil que ela não atraia apoiadores e desmonte resistências. Uma pessoa a quem respeito muito sempre me disse que primeiro precisamos conhecer alguém, para depois julgar”, ponderou.

Silvana e Caetano Bentes disputam internamente a indicação da Rede. Imagem: SNTV

Randolfe, Davi e Clécio, Líderes do grupo Rede/DEM

Legitimidade

Somam-se a esse cenário complicado as pesquisas de consumo interno encomendadas pela Rede e que apontam aprovação da gestão do prefeito Clécio Luís.

Também por isso, lideranças na Rede acreditam que não tem cabimento o partido se retirar de cena para que o DEM encabece uma chapa à prefeitura da capital, o que, inclusive, seria a segunda vez consecutiva. Em 2018, o senador Davi Alcolumbre disputou o governo do Estado pelo DEM, com apoio maciço da Rede.

Apesar do clima pesado no grupo, até agora nenhuma das lideranças do DEM e da Rede teve a iniciativa de puxar uma conversa definitiva acerca do assunto.

A Rede tem se sentido à vontade para construir uma aliança de centro-esquerda, com possibilidade de dialogar com o PT, e até com o PDT de Waldez Góes e de Ciro Gomes, que recentemente se aproximou do Randolfe Rodrigues.

A cada dia que passa, a indefinição aumenta o distanciamento entre os, ainda, aliados.

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