Anna Karoline III: Dívida milionária está por trás de tragédia, afirma delegado

Segundo delegado, embarcação comandada por Paulo Márcio Simões Queiroz sofreu um acidente e pegou fogo, em novembro do ano passado, no Pará
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Por RODRIGO ÍNDIO

Uma dívida milionária do comandante do navio Anna Karoline III teria motivado a imprudência e parte das irregularidades que provocaram o naufrágio da embarcação, no dia 29 de fevereiro no sul do Amapá.

A informação foi repassada pelo delegado Victor Crispim, da 1ª Delegacia de Polícia (DP) de Santana, que comandou a investigação e concluiu o inquérito esta semana.

O comandante Paulo Márcio Simões Queiroz foi uma das 6 pessoas indiciadas. Ele responderá pelo crime de homicídio por dolo eventual, quando se está ciente dos riscos e, mesmo assim, os assume.

No dia 26 de março, ele chegou a ser preso temporariamente acusado de estar orientando testemunhas antes de prestarem depoimentos.

Anna Karoline III: tragédia deixou 42 vítimas fatais

De acordo com delegado que presidiu o caso, em novembro de 2019 Paulo Márcio comandava a embarcação São Francisco de Assis, que pegou fogo quando passava pela comunidade Catauari, na área conhecida como Boca do Tapará, em Santarém, oeste do Estado do Pará. 

O comandante teria contraído uma dívida milionária e para buscar salvar as finanças alugou o Anna Karoline III.

“Ele fez o aluguel do Anna Karoline três ou quatro dias após a embarcação São Francisco de Assis ter pego fogo. Tudo leva a crer que, devido essas dívidas que possuía, ele colocou todas essas mercadorias por ganância dentro da embarcação que resultou infelizmente na morte de 42 pessoas”, revelou Victor Crispim.

Entre os diversos fatores da causa do naufrágio, o inquérito apontou que o navio estava com 70% de sobrecarga. Outro fato apurado foi que o disco de plimsoll [marcação de segurança no casco que indica o limite de carga que o navio pode transportar] estava supostamente adulterado.

“Esse disco foi retirado do seu local original e colocado três metros para frente, ou seja, mais próximo da proa. Ele fica um pouco mais alto, consequentemente o comandante da embarcação pode transportar mais mercadorias e a fiscalização não vai poder verificar a irregularidade”, comentou Crispim.

Tripulantes registraram embarcação com possível sobrecarga

No momento do naufrágio não era Paulo Márcio quem estava pilotando o navio, e sim um tripulante de 60 anos, sem habilitação.

“Possivelmente se ele estivesse [no comando], pela experiência que ele possui, poderia ter evitado esse naufrágio”, acrescentou o delegado.

Além do comandante, foram indiciados: um sargento e um cabo da Marinha do Brasil, o despachante do Porto de Santana, o tripulante que pilotava a embarcação e o proprietário da embarcação Albatroz [que fazia o abastecimento irregular].

Do acidente, são 51 sobreviventes, 40 corpos encontrados e duas crianças ainda estão desaparecidas.

Com a conclusão do inquérito, o caso será remetido à Justiça Federal.

Seles Nafes
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