O surrealismo fantástico na pena de Fernando Canto

Obra será lançada na próxima terça-feira (16), no Norte das Águas, à beira do Amazonas, no Araxá, orla de Macapá.
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Por MARCO ANTÔNIO P. COSTA

O mais latino-americano dos estilos literários, o surrealismo fantástico, acaba de ganhar uma obra totalmente amapaense ou, ao menos, destes lados de Amazônia setentrional.

Fernando Canto escreveu seu 18º livro, “O Centauro e as Amazonas”, que está sendo apresentado pelo Coletivo Juremas e será lançado na próxima terça-feira (16), no Norte das Águas, à beira do grande Amazonas, no Araxá, orla de Macapá.

Fernando demonstra estar no auge da sua produção literária. Semanas atrás lançava um livro sobre a Fortaleza de São José e desta vez deu asas à imaginação onde mistura, por exemplo, personagens míticos helênicos com seres reais e surreais da nossa Amazônia. É um livro de contos, ficcional, define.

O Portal SelesNafes.com bateu um papo com o sociólogo e escritor, que reproduzimos na íntegra para o nosso leitor. Acompanhe.

É o teu primeiro livro ficcional, Fernando?

Não. O quarto. São contos.

E por que esse título, o Centauro e as Amazonas?

Fernando Canto escreveu seu 18º livro. Fotos: Marco Antônio P. Costa/SN

Na realidade, esse conto como é o Amazonas e falavam que aqueles primeiros navegadores espanhóis achavam que tinham mulheres, as Amazonas que lutavam, mulheres que tinham só um seio por causa dos arcos, sequestravam homens, aí eu achei que deveria fazer dentro do próprio mito, eu deveria como se fosse uma espécie de origem disso. Aí seria como, por exemplo, um dos 12 trabalhos de Hércules, ele deveria resgatar o cinto da Rainha das Amazonas, que era um dos 12 trabalhos dele. Só que ele encontra antes o Quíron, um Centauro que trabalhava com ervas e tudo mais e convida para vir aqui e os dois vieram montados em dois Pégasus, aqueles cavalos alados e aqui são flechados e capturados pelas Amazonas. Até que Hércules consegue transar com ela, com essa rainha das Amazonas, até que ele consegue levar, mas deixa o Quíron aqui na Amazônia, mas aí fica fugindo de vários acontecimentos, inclusive a chegada dos espanhóis e acaba se transformando num Mapinguari, a lenda amazônica do monstro com a boca no estômago, que é louvado pelos índios, masculino, como uma espécie de Diabo, para o lado ruim, ou para alguns, o lado bom.

Tu acabaste de lançar um livro e agora vem outro. Que horas tu escreves?

Olha, isso aqui é uma coletânea, eu escrevo a hora que dá. Inclusive, pelo celular, eu considero o celular o cachorro do escritor.

O Centauro e as Amazonas está sendo apresentado pelo Coletivo Juremas

Tu empregas muitas horas do teu dia para o ofício de escritor? E quando dá vontade? Existe inspiração? Como é?

Na realidade os textos, muitos deles, eu já anoto. Quando bate assim, uma inspiração, um tema que vem na tua cabeça, eu sempre anoto e depois eu trabalho nele. Eu não penso assim como é que eu vou começar, como é que eu vou terminar, mas eu penso, sobretudo, em ter essa temática pra fazer lá adiante, pode ser no celular, no computador, à mão.

Há textos antigos?

Alguns já foram publicados.

Qual a tiragem?

São poucos. Apenas 100 exemplares.

O que o leitor pode esperar do livro?

Ele pode esperar alguns textos inéditos a respeito dessa maravilhosa e antagônica floresta com todos os seus seres que se chama Amazônia e, dentro dela, existem muitas coisas que são irreais e o autor aproveita para trabalhar em cima disso, como se fossem coisas reais. Então, é o fantástico sendo colocado à tona nessa tradição latino-americana, nesse surrealismo, nessa coisa fantástica, essas irrealidades. Então, o leitor pode esperar muita coisa diferente.

Seles Nafes
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