Pré-julgado por populares, suspeito de estupro e homicídio é atacado

João Batista ajudou a procurar o corpo da vítima. Ele havia registrado ocorrência de ameaça ante de ser agredido. Está no HE de Macapá.
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Por RODRIGO ÍNDIO

Até a noite desta quarta-feira (1°), os criminosos suspeitos de estuprar e assassinar a estudante Karoline Braga Miranda, de 12 anos, que saiu para comprar comida em um comércio na noite de terça-feira (30), numa região periférica do Bairro Marabaixo 4, zona oeste de Macapá, não foram identificados.

Entretanto, a Polícia Civil do Amapá já sabe que se tratam de pelo menos dois homens. Três delegacias estão investigando o caso.

Mas uma situação vem atrapalhando. Em meio às buscas, há quem alega ser vítima de falsas acusações ao ter sua imagem divulgada nas redes sociais como autor da barbárie e obviamente, teme pela vida.

É o caso do morador João Batista, de 56 anos, que chegou a ajudar nas buscas e teve a foto espalhada no WhatsApp como assassino. Na noite de quarta-feira (1) ele foi atacado e quase morto por causa disto. Foi socorrido e até a manhã desta quinta-feira (2), estava internado em estado grave no Hospital de Emergência de Macapá.

O portal SelesNafes.com havia falado com ele antes do ataque.

João Batista antes de ser atacado: “Registrei o boletim de ocorrência porque eles estão me caluniando e o que fez a divulgação tenho certeza que foi até este perverso que matou e está querendo desfazer em cima de mim”

“Tão me acusando porque eu não gosto de bandido e nem de malfeitor (…) Registrei o boletim de ocorrência porque eles estão me caluniando e o que fez a divulgação tenho certeza que foi até este perverso que matou e está querendo desfazer em cima de mim”, disse Batista.

João Batista estaria no comércio quando a menina fez as compras. Ele detalhou que já estava na frente de casa quando a família começou a procurar Karoline e se juntou a eles até o encontro do corpo.

Durante a tarde, um outro homem identificado como Eduardo Pereira de Sousa foi conduzido para a delegacia para prestar esclarecimentos. Ele alega está sendo jurado de morte. Acompanhe:

O delegado Ronaldo Entringe, da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente no Amapá (Dercca), ouviu as duas pessoas acima citadas que tiveram a imagem divulgada. Após isso, elas foram liberadas.

“Ouvimos uma pessoa que uma testemunha disse que ele já tinha respondido por crime de estupro, pedofilia. Fizemos consulta ao nosso sistema da polícia, não encontramos nada. Informação inverídica. O outro disse que postaram a foto dele num grupo de WhatsApp. Nós averiguamos e constatamos que foi tudo um mal-entendido, pegaram a foto dele e divulgaram nas redes sociais”, disse o delegado, que ressaltou que isso não os isenta de culpabilidade.

“Isso não quer dizer que esses dois homens não sejam suspeitos, se nós descobrirmos testemunhas que venham aqui, prestem depoimento e a gente chegue à conclusão de que de fato eles foram responsáveis a gente vai proceder pelo indiciamento. Mas até o momento não há nenhuma ligação com o crime”, acrescentou.

Delegado Ronaldo Entringe sobre os dois acusados: “até o momento não há nenhuma ligação com o crime”. Fotos: Rodrigo Índio

O delegado alertou que as pessoas que divulgam e compartilham essas imagens com informações inverídicas podem responder por calunia ou denunciação caluniosa. A ação também acaba atrapalhando as investigações, que seguem em curso.

Seles Nafes
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