Ex-estagiário recebeu R$ 100 mil para falsificar decisões judiciais contra a CEA

Delegado Manoel Pacheco, da Deccor: no total, polícia estima que estatal teve prejuízo de R$ 300 mil. Consumidores também poderão responder
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Por RODRIGO ÍNDIO

Um ex-estagiário da Companhia de Eletricidade do Amapá (agora Equatorial) foi indiciado pela Polícia Civil pela prática de estelionato dentro da ex-estatal. A investigação da Divisão Especial de Combate à Corrupção (Deccor) aponta 19 crimes cometidos por ele. entre 2019 e 2020. Na época, a CEA era uma sociedade de economia mista, e foi privatizada no ano passado.

De acordo com o delegado Manoel Pacheco, o estelionatário de 33 anos (que não teve o nome divulgado) trabalhava no setor de cancelamento da CEA. Com isso, falsificava decisões judiciais e as encaminhava para homologação na CEA.

“Essas decisões inexistentes isentavam o consumidor de débitos, parcelavam débitos ou determinavam que a CEA deixasse de suspender o fornecimento de energia para consumidores com débitos”, explicou o delegado.

O indiciado cobrava valores dos consumidores para realizar os falsificações e outros procedimentos, e teria recebido mais de R$ 100 mil em dinheiro só dos clientes. Para a CEA, deixaram de entrar nos cofres da companhia outros R$ 200 mil.

Estudante de Direito conhecia trâmites dentro da companhia. Fotos: Rodrigo Índio/SN

Investigação está sendo conduzida pela Deccor

Consumidores tinham ciência da fraude, e também poderão responder criminalmente.

“O golpista sempre recebia os valores em espécie para não demonstrar movimentação bancária e, por ser acadêmico do curso de Direito, utilizava do conhecimento jurídico que possuía para confeccionar tais decisões”, acrescentou o delegado.

O ex-estagiário já responde pela prática de outros crimes de estelionato e optou pelo silêncio durante o interrogatório. Os inquéritos policiais serão concluídos e encaminhados ao Ministério Público para o oferecimento da denúncia.

Seles Nafes
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