Crise do transporte: apenas 64 ônibus operam em Macapá

Essa semana, duas empresas do sistema deram baixa em mais 14 veículos junto à Companhia de Trânsito de Macapá.
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Por ANDRÉ SILVA

O macapaense sofre cada vez mais com o transporte público coletivo e não é para menos. Menos da metade da frota prevista de ônibus circula na capital. A quantidade, informada pela Prefeitura de Macapá na tarde desta sexta-feira (18), é insuficiente para atender a população, que sofre há quase um ano os efeitos da crise do transporte público.

O Sindicato das Empresas de Transportes do Amapá (Setap) confirmou o dado, informando que dos 156 ônibus que circulavam na cidade antes do decreto emergencial da prefeitura, restaram apenas 78.

Essa semana, duas empresas do sistema deram baixa em mais 14 veículos junto à Companhia de Trânsito de Macapá (CTMac), o que fez cair ainda mais o número de ônibus: agora são apenas 64.

O assessor de comunicação do Setap, Renivaldo Costa, alegou que dos 50 mil estudantes que estavam cadastrados na base do sindicato até 2018, restaram apenas 17 mil, o que representou uma queda substancial na arrecadação das empresas nos últimos meses, justificou.

Ele explicou que o início de toda crise se deu durante a pandemia de covid-19, onde o número de passageiros diminuiu de 120 mil por dia para 9 mil diários. Mesmo depois do período mais crítico da doença, o movimento não teria voltado ao normal. 

“Várias instituições passaram a ter atividades híbridas ou apenas trabalho remoto. Diversas instituições estão nessa situação como é o caso da UEAP, Unifap e outras instituições particulares que dão a possibilidade para o aluno fazer aulas remotas ou online. O cara, claro vai preferir o remoto, não ter que sair de casa”, contextualizou.

FOTO: LEONAROD MELO /SN

Bola de neve

O Setap afirma que a gota d’água na crise foi o decreto emergencial da prefeitura publicado em agosto deste ano, que determinou a intervenção do sistema de bilhetagem, sob a alegação de que não havia transparência nas informações por parte do sindicato. O mesmo decreto determinou a saída da Sião Thur, que detinha 40% das rotas da capital.

Contratação emergencial

O diretor-presidente da CTMac, Andrei Rego, afirmou que a contratação emergencial de uma empresa para assumir as rotas que foram descobertas com a saída da Sião Thur é inviável para qualquer empresa, já que elas precisam de segurança jurídica para investir.

“Acontece que nenhuma empresa se propõe a trazer investimento sem segurança, que seria o sistema licitado. Ou seja, para que qualquer empresa do Brasil entre em Macapá vai precisar de tempo de retorno financeiro o que requer pelo menos 10 anos, daí a importância de uma licitação (suspensa pela justiça) com concessão de 25 anos”, explicou Rêgo.

Renivaldo Costa (Setap): queda no número de passageiros na pandemia não foi recuperada. Foto: Arquivo SN

Andrey Rêgo, diretor da CTMac: sem licitação, empresas não têm segurança para investir

O diretor afirmou que a crise só vai perder força depois do fim do decreto emergencial que acontece em 14 de fevereiro de 2023, mesmo período em que a prefeitura passa a receber recursos proveniente do Governo Federal – referente ao auxílio idoso – e passa a fazer um aporte financeiro no sistema, para que esses passageiros tenham o direito à gratuidade garantido. A soma dos dois recursos chega ao valor de R$ 0,86 por passageiros. 

Na manhã desta sexta-feira (18), usuários do transporte coletivo estiveram reunidos com vereadores de Macapá em uma audiência pública, onde foram discutidas as alternativas para uma saída da crise. A licitação do transporte público foi sugerida entre as soluções.

“Com todos os olhares voltados ao transporte, o poder público passa a trabalhar na licitação sem maiores interrupções de processos, o que vem desgastando o avanço dos procedimentos. As empresas, por sua vez, e através de uma forte fiscalização da CTMac, se regularizam para estarem aptas nas concorrências e deixam de acessar a Justiça com pedidos de impugnação. E, assim, teremos mais tranquilidade para logo depois do emergencial licitar o sistema”, finalizou o diretor.

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