Em depoimento, cirurgião desmente Silvia Waiãpi

Profissional realizou harmonização facial possivelmente paga com dinheiro público da campanha; deputada nega até que tenha ido à clínica, diz MPE
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Por SELES NAFES

O depoimento do cirurgião dentista Willian Rafael é apontado pelo Ministério Público Eleitoral como mais uma evidência no inquérito que apura o desvio de dinheiro da campanha da deputada federal Sílvia Waiãpi (PL-AP). A transcrição do depoimento dele aos procuradores eleitorais que investigam o caso consta no pedido para que a justiça julgue o recurso contra a decisão que negou a quebra de sigilo bancário da parlamentar.

A deputada federal foi denunciada em setembro pela ex-coordenadora de campanha, a jornalista Maitê Mastop. Em agosto, ela teria encontrado com Silvia na clínica do cirurgião e teria recebido a ordem da então candidata para pagar os serviços de harmonização facial com o dinheiro que Silvia havia transferido um dia antes para a conta de Maitê, que era do fundo eleitoral. O valor devido à clínica era de R$ 9 mil.

Maitê apresentou aos procuradores o comprovante de que tinha recebido R$ 20 mil de Silvia por seus honorários na coordenação da campanha, e também o comprovante de pagamento à clínica, assim como o recibo emitido. Silvia negou ter feito qualquer procedimento estético e mesmo que tenha ido à clínica, diferente do que afirmou o cirurgião em depoimento.

Procurador Regional Eleitoral: O senhor atendeu a senhora Silvia Nobre, conhecida como Silvia Waiãpi no seu consultório no mês de agosto desse ano?

William Rafael: Sim.

Procurador Regional Eleitoral:

O senhor realizou algum procedimento nela?

William Rafael: Sim. Nós começamos a fazer um tratamento de harmonização facial.

Procurador Regional Eleitoral: O senhor terminou já esse tratamento?

Campanha de Silvia recebeu R$ 100 mil do fundo eleitoral do PL

Recibo emitido pela clínica de odontologia a Silvia Waiãpí apresentado por Maitê

William Rafael: Ainda não. Estamos em tratamento.

Em outro trecho, o procurador pergunta ao cirurgião se ele sabia da origem do dinheiro usado pela coordenadora para pagá-lo.

Procurador Regional Eleitoral: O senhor sabia da origem do dinheiro do pagamento da senhora Maite?

William Rafael: Não. Isso aí não cabe a gente tá perguntando para nenhum paciente de onde vem isso daí. Coisa que a gente tem é bem simples. O paciente vem, informa a necessidade, conforme a necessidade a gente passa os valores pra ele no que cabe no primeiro momento para ele dentro dos procedimentos de harmonização facial e ele efetua o pagamento. Agora saber de onde vem os recursos, isso daí não tem como a gente saber.

Procurador Regional Eleitoral: A senhora Maite fez o pagamento no momento, aqui com o senhor, ou foi em outro momento, outro dia?

William Rafael: Ela fez aqui.

No recurso, o MP Eleitoral reitera o pedido para que o sigilo bancário da deputada e da coordenadora seja afastado, já que a legislação eleitoral deixa claro que a aplicação do recurso do fundo precisa ser transparente.

Os procuradores também levantam suspeitas sobre uma nota fiscal de R$ 39,4 mil apresentada por Silvia na prestação de contas da campanha, que pode ter mascarado o suposto gasto irregular e outras despesas possivelmente ilegais.

Seles Nafes
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