No Amapá, adolescentes com Down enfrentam depressão

No dia 25, uma caminhada vai abordar esse e outros aspectos da complicada vida de adolescentes portadores
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Por SELES NAFES

A adolescência não é uma fase fácil para ninguém. Mas, quando a pessoa é portadora da síndrome de Down e mora no Amapá, o cenário pode ser ainda mais complicado. O preconceito, a falta de preparo das escolas e da rede pública de saúde são os ingredientes de uma equação difícil de resolver, e que serão abordadas na 1ª Caminhada Down, marcada para o próximo dia 25, em Macapá.

A ideia dos organizadores, todos pais de crianças e adolescentes com Down, é fazer uma volta no entorno do Mercado Central, com concentração a partir das 17h. O evento quer mobilizar outros pais e chamar a atenção da sociedade e do poder público para as dificuldades enfrentadas por eles na condução do desenvolvimento dos filhos. No Brasil, existem 300 mil pessoas com a síndrome, mas não há estatísticas no Amapá, além de suporte.

Em Belém (PA), pais vão realizam a nova caminhada.

“Nunca houve uma caminhada aqui em Macapá. A gente vê muito a divulgação sobre autismo e outras deficiências. Precisamos explicar como é essa doença genética para conscientizar que os portadores podem estudar, trabalhar, casar e gerar filhos”, justifica Rita Feitosa, uma das coordenadoras do evento.

A criança com síndrome de Down normalmente é bem recebida e não tem tantas dificuldades de entrar para a escola pública. Mas, quando a adolescência chega trazendo incertezas e o natural interesse por namoros, a rejeição pesa e a vida deles começa a se tornar mais complicada.

Apenas quem tem planos de saúde tem mais facilidade de encontrar especialistas

“Normalmente, a síndrome de Down tem as mesmas características físicas. As pessoas olham com dó ou com medo, mas não olham como uma pessoa normal. Isso intimida muitas famílias, principalmente quando chegam na adolescência, que é quando fica mais nítido o aspecto físico, e eles já têm à noção que são diferentes. Aí vem a depressão”, explica Ângela Maximin, também da coordenação da caminhada.

Segundo ela, que é mãe de Vitor, de 13 anos, a maioria dos adolescentes desiste de ir à escola ou é “escondida” pelas próprias famílias.  

“Eles ficam em casa. Eles mesmos não querem sair por saberem que são diferentes e não farão as mesmas coisas que outros fazem, como ir ao shopping sozinhos, a uma festa, e começam a ter essa noção”, comenta.

“Até o 5º ano eles são bem recebidos na escola, mas depois a troca de professores a cada 50 minutos gera dificuldades”, revela.

Vitor, de 13 anos, e Ângela: poder público precisa acordar

Caminhada em Belém será a nona. Foto: Agência Belém

No Amapá, não há uma rede de apoio específica para portadores da síndrome de Down. Apenas quem tem planos de saúde consegue encontrar especialistas que ajudam nos estímulos de desenvolvimento corporal e intelectual, como é o caso de Vitor.

A ideia da caminhada do dia 25 é fazer com que o poder público acorde para essa clientela no atendimento à saúde.

“Enquanto o estado não olhar para essas pessoas que podem trabalhar e participar do desenvolvimento, a gente fica segregando. Em São Paulo, existem restaurantes onde todos os profissionais têm síndrome de Down. Aqui, as empresas podem abrir esse mercado, como os supermercados para eles se sentirem úteis na sociedade”, finaliza.

Para participar da 1ª Caminhada Down, basta comparecer no Mercado Central às 17h. Haverá atividades antes da caminhada.  

Seles Nafes
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