Por SELES NAFES
Moradores do arquipélago do Bailique, uma comunidade ribeirinha situada a 150 km de Macapá, estão determinados a permanecer na região, apesar dos desafios enfrentados pelas mudanças climáticas. Após a entrada de água salgada do oceano e do fenômeno das “terras caídas,” eles agora lidam com o assoreamento do principal rio local. Nesta sexta-feira (25), iniciaram um mutirão para abrir um canal que permita a navegação de pequenas embarcações e assim sair do quase isolamento.
O canal, com aproximadamente 200 metros, está sendo aberto em frente à comunidade do Livramento. Com a estiagem severa o rio ficou raso, e, sem a possibilidade de embarcações chegarem até a margem, crianças e trabalhadores são forçados a atravessar a lama para alcançar um ponto mais profundo, onde podem pegar transporte para a escola, áreas de cultivo ou pesca.
As comunidades mais afetadas incluem Igarapé Grande, Bacuri, Eluzai, Equador, Maranata, Filadélfia, Boa Esperança, Monte Carlos e Bom Amigo. A situação é ainda mais crítica para aqueles que precisam de socorro médico.
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Crianças andam centenas de metros na lama para chegar ao ponto onde o barco consegue passar. Foto: Reprodução/MAB
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Mutirão tenta abrir um canal de 200 metros de cumprimento
“Mesmo com a maré alta, os pescadores enfrentam dificuldades para passar. Estamos aqui acompanhando essa ação da comunidade. Sem auxílio do poder público, os moradores tiveram que abrir este canal com enxadas, picaretas e pás,” relata Moroni Guimarães, presidente do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB).
Segundo ele, a associação já havia solicitado que o Ministério Público cobrasse providências das autoridades, prevendo que a estiagem deste ano, agravada pelas mudanças climáticas, poderia causar essa situação.