Por OLHO DE BOTO, de Macapá (AP)
Policiais civis do Amapá e do Mato Grosso deflagraram uma operação para prender seis integrantes de uma organização criminosa investigada por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Em um dos endereços onde foram cumpridos mandados de prisão, os agentes precisaram usar uma picape para arrombar o portão e entrar na residência.
A ação integrada, denominada Operação “Marketplace”, foi deflagrada nesta quarta-feira (28). No Amapá, os trabalhos foram coordenados pela Delegacia Especializada de Repressão a Fraude Eletrônica (DRFE), enquanto no Mato Grosso a ofensiva contou com a Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá. Os mandados de prisão foram cumpridos na capital mato-grossense.

Todas as prisões ocorreram na capital do Mato Grosso
Segundo o delegado Anderson Silwan, titular da DRFE, a investigação teve início no fim de 2024, após duas vítimas amapaenses denunciarem o chamado golpe do falso intermediário, aplicado a partir de um anúncio fraudulento de venda de veículo no marketplace do Facebook.
“O criminoso clonou um anúncio legítimo de venda de automóvel e republicou o mesmo bem por valor muito abaixo do mercado. Ao intermediar a negociação, enganou simultaneamente comprador e vendedor, induzindo a transferência de R$ 25 mil para uma conta bancária vinculada ao grupo criminoso. Após o pagamento, ambas as vítimas foram bloqueadas”, explicou o delegado.
O aprofundamento das investigações revelou uma estrutura criminosa complexa, com ao menos 23 envolvidos, incluindo detentos do sistema penitenciário do Mato Grosso, que seriam responsáveis por coordenar e executar os golpes mesmo de dentro das unidades prisionais.
O grupo fez vítimas em pelo menos nove estados brasileiros, atuando de forma organizada, permanente e com clara divisão de funções, desde a captação das vítimas até a ocultação e dissimulação dos valores ilícitos, o que também caracteriza o crime de lavagem de dinheiro.

Duas vítimas são do Amapá
A Justiça do Amapá determinou o bloqueio de bens dos investigados e expediu sete mandados de prisão preventiva, dos quais seis já foram cumpridos durante a operação.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e ampliar o alcance das medidas judiciais.
