Por JONHWENE SILVA, de Santana (AP)
Com cartazes nas mãos e pedaços de troncos de árvores jogados na pista, uma mobilização realizada nesta terça-feira (25) por integrantes da comunidade quilombola do Curralinho provoca alterações no tráfego da BR-210, no Amapá. O ato ocorre na altura do Km 8, nas proximidades da entrada da comunidade, e tem como foco reivindicações relacionadas a questões territoriais.
Segundo o policial rodoviário federal Ellison, a manifestação é pacífica e ocorre sem registro de confrontos. De acordo com o agente, os manifestantes alegam que terras pertencentes à comunidade estariam sendo invadidas. Há relatos de que pessoas estariam loteando as áreas e, em alguns casos, ameaçando moradores do quilombo.
Ainda conforme o policial, o objetivo do ato é chamar a atenção das autoridades para que tenham conhecimento da situação e adotem providências. A rodovia está parcialmente bloqueada, com liberação controlada de veículos.

PRF acompanha o ato no Km 8 e garante que a mobilização ocorre de forma pacífica, com liberação controlada de veículos nos dois sentidos da rodovia. Foto: PRF-AP
De acordo com um dos manifestantes, identificado apenas como Gleison, que seria membro da Coordenação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Amapá (CONAQ-AP), a situação é antiga e preocupa os moradores.
“Já faz tempo que isso vem ocorrendo no território das comunidades quilombolas, onde algumas famílias ocupam a área há mais de 100 anos. O que estamos vivenciando são empresários intimidando os moradores. Hoje foi uma manifestação pacífica, para que autoridades federais e estaduais tomem conhecimento. São agricultores, pescadores que precisam de suas terras”, afirmou.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanha a mobilização e monitora o fluxo na região, atuando para garantir a segurança viária, assegurar o direito constitucional à manifestação e reduzir os impactos no tráfego.
Os organizadores também solicitaram a presença da imprensa para ampliar a visibilidade das reivindicações. Até o fechamento desta matéria, a mobilização seguia mas trânsito começava a ser liberado.

