Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Em depoimento ontem (25), em um processo que tramita no 1º Juizado Especial Cível de Macapá, um dos réus revelou como atuava o grupo que funcionava utilizando a estrutura e recursos da Prefeitura de Macapá para atacar a honra e criar falsas notícias. Os alvos eram comunicadores e pessoas vistas como adversárias da gestão Antônio Furlan (PSD). O processo por calúnia e difamação é movido pelo policial e jornalista Thaison Viana e pelo autônomo Marcos Vinícius Oliveira, que teriam se tornado alvos de ofensas e notícias falsas dentro de grupos de WhatsApp e de uma suposta página de notícias chamada “Giro Policial”.
Durante questionamentos do juiz Esclepíades Neto, Gleidson Alves Barros (foto acima) revelou que era nomeado em um cargo da Secretaria de Comunicação da prefeitura onde recebia pouco mais de R$ 1,8 mil de salário. Na época, a comunicação era comandada pelo secretário Juarez Menescal e pelo secretário de Articulação Diego Santos, que seriam encarregados de repassar conteúdos que deveriam ser disparados nas redes sociais e grupos de WhatsApp.
Gleidson informou que integrava um dos grupos que trabalhavam no prédio da prefeitura, chamado de “Os artilheiros”, uma referência à artilharia de um exército. No depoimento, o “artilheiro” confessou que era nomeado na comunicação.
“Eu acabava recebendo ordens e direcionamentos do então secretário Juarez Menescal para atacar algumas personalidades que fazem parte da comunicação no estado. E o Thaison faz parte (da comunicação) pelo Diário da Gente. Recebi orientações para atacá-lo”, revelou.
O réu também informou que, de forma voluntária, procurou a Polícia Civil para entregar prints que comprovariam como funcionava a organização de ataques. Thaison teria sido escolhido como alvo pelo então secretário Menescal após um suposto rompimento de vínculo.
Núcleos
Segundo Gleidson, havia núcleos diferentes de “artilheiros”, com participação de Igor da Silva Costa e José Welton Barros Góes, com o mesmo objetivo e coordenação de Menescal e Diego Santos. Tanto Igor quanto José Welton também são réus no mesmo processo.

Páginas que seriam administradas por “artilheiros”
No processo, Igor é defendido pelo advogado Carlos Evangelista, que atua na maioria das ações em que os acusados são ligados a uma suposta milícia digital paga com dinheiro público. Evangelista tentou desqualificar o depoimento ao perguntar se atualmente o réu estava nomeado em algum cargo do governo e se ele havia saído da prefeitura, em dezembro, após algum conflito interno pessoal. Em ambos os questionamentos a resposta foi negativa.
O advogado Marcelo Leal, que representa o policial e jornalista, destacou que o réu estava confessando crimes graves e afirmou que fará uma representação no Ministério Público para denunciar o núcleo dos “artilheiros”.
Na ação por calúnia e difamação, Marcos e Thaison pedem que os três sejam condenados a remover os conteúdos ofensivos, ao pagamento de multa diária em caso de descumprimento e ao pagamento solidário de indenização no valor de R$ 28 mil.
O Portal SelesNafes.Com tenta ouvir as defesas de Juarez Menescal e Diego Santos. O espaço está aberto para pronunciamento.
