Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O governador do Amapá, Clécio Luís (União), saiu em defesa da Polícia Militar do estado após acusações feitas pelo ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), de que estaria sendo monitorado por integrantes da corporação. Furlan foi afastado do cargo no último dia 4 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Polícia Federal, e renunciou ao mandato no dia seguinte.
Segundo Clécio, a presença de um policial militar nas proximidades do local onde ocorria a cerimônia de posse da nova diretoria da Associação de Promotores de Justiça do Ministério Público do Amapá seguiu um protocolo rotineiro de segurança. O governador explicou que a PM costuma fazer o reconhecimento prévio da área sempre que existe a possibilidade de participação do chefe do Executivo estadual no evento.
“Ele disse que a vida dele e da família estava em risco por conta de um agente da PM que é uma instituição séria. Ele estava trabalhando. Toda vez que vai ter um evento e o governador pode ir ou não, vai uma equipe fazer todo o levantamento da área. Isso acontece em todos os governos”, esclareceu Clécio.

PF monitorando empresário deixando banco com mochila cheia de dinheiro que depois foi parar no carro do prefeito
Vitimização
Durante a manifestação, o governador criticou a estratégia de vitimização de Furlan a cada operação da Polícia Federal.
“Toda vez que tem uma operação da PF ele prontamente faz um vídeo acusando os adversários. É a quinta vez que a PF faz operação na casa dele. Eu queria ele usasse essa disposição para gravar vídeos acusando os outros para gravar um vídeo explicando para a população do estado o porque de todas essas operações. Porque a mochila com R$ 400 mil transportados pelo seu motorista em seu carro”, disparou o governador.
De acordo com a investigação, o dinheiro foi monitorado pela Polícia Federal no contexto das apurações que envolvem possíveis irregularidades na obra do hospital. Furlan é suspeito de que recursos desviados do contrato tenham sido direcionados para clínicas ligadas a ele e à primeira-dama Rayssa Fulan, pré-candidata ao Senado.

Empresário guarda R$ 400 mil em mochila antes do repasse para o motorista do prefeito
“Porque o desvio de recurssos de mais de R$ 3 milhões para empresas da família dele. O povo do Amapá merece essas explicações”, acrescentou.
Com o afastamento de Furlan e também do vice-prefeito Mário Neto, que acumulava o cargo de secretário municipal de Finanças, a Prefeitura de Macapá passou a ser comandada interinamente pelo presidente da Câmara Municipal, Pedro Dalua (União). A investigação segue em andamento sob supervisão do STF.
