Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
A imagem de empreendedora que Railana Leite Nogueira, de 30 anos, ostentava nas redes sociais — onde promovia cursos e serviços de estética como extensionista de cílios — desmoronou na última sexta-feira (6). Em uma nova fase da Operação Nêmesis, a Polícia Civil do Amapá prendeu a investigada em sua residência, no bairro Fonte Nova, em Santana. Desta vez, o motivo que a levou ao sistema prisional foi o envolvimento direto com o tráfico de drogas.
Railana já estava sob a mira da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) por um crime de extrema gravidade: a morte do policial penal Estevam Carvalho Trindade Júnior, executado em julho de 2025. Segundo as investigações, após um desentedimento entre a vítima e o pai dela, um pedreiro de 48 anos, ela teria sido a “ponte” com a cúpula da facção Família Terror do Amapá (FTA).

Railana divulgava a atividade profissional nas redes…

…e acabou sendo presa em casa, onde funcionava seu estúdio
A vingança por uma dívida
O enredo que culminou no assassinato do agente público começou de forma banal. O pai de Railana teria recebido o pagamento por serviços de construção civil, mas não entregou a obra, gerando um conflito com o policial. Em vez de uma resolução legal ou pessoal, a filha teria acionado a estrutura da facção para “resolver” o problema do pai.
Aproveitando-se do relacionamento com um detento que exerce liderança no grupo criminoso, Railana teria administrado linhas telefônicas e repassado informações estratégicas de fora para dentro do presídio. O delegado Estéfano Santos, titular da DRACO, aponta que ela foi peça-chave na logística que permitiu o monitoramento e a execução de Estevam.

Ela já tinha sido alvo de mandado de busca e apreensão no dia 2 de março

Estevam Carvalho Trindade Júnior foi morto a tiros por um matador da facção
Nova investigação: A rota do tráfico
Embora respondesse ao processo pelo homicídio em liberdade, uma nova linha de investigação revelou que a rotina de Railana ia muito além da estética. O monitoramento policial identificou que ela gerenciava um entreposto de entorpecentes em Santana.
“Conseguimos identificar que um carregamento de drogas interceptado em janeiro deste ano tinha como destino a residência dessa mulher”, afirmou o delegado Estéfano Santos.
A prisão preventiva e a busca e apreensão realizadas buscam desmantelar a estrutura financeira e logística que Railana operava para a facção. Nas redes sociais, ela fazia questão de expor joias e uma vida de luxo.
Após ser ouvida formalmente no Ciosp da Zona Oeste, ela passará por audiência de custódia, permanecendo à disposição da Justiça.
