Fabricante de massas vê sonho da energia solar virar pesadelo no Amapá

Empresária afirma ter pago R$ 98 mil, mas não teve sistema instalado. Caso envolve pelo menos 17 clientes que relatam contratos pagos e serviços não executados no Amapá
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

Uma empresária do setor alimentício em Macapá decidiu desabafar nas redes sociais sobre uma empresa de energia solar que recebeu, mas não cumpriu sua parte no contrato. O prejuízo teria sido causado pela Eco Energia Solar, sediada em Santana, cidade a 17 km de Macapá. Segundo o relato, mesmo após o pagamento integral do serviço, de R$ 98 mil, a instalação do sistema fotovoltaico nunca foi realizada. A empresa se pronunciando afirmando que não abandonou o contrato com a cliente.

Katia Amaral, que atua na produção de massas para pastéis, pizzas e folhados desde 2014, afirma que decidiu investir em energia solar como forma de reduzir custos e expandir o negócio. O contrato foi firmado em setembro do ano passado, mas, passados seis meses, o serviço não foi entregue.

“Foi um investimento alto, fruto de muito trabalho. Pagamos tudo de uma vez e, até hoje, não recebemos nada. Só promessas”, relata a empresária.

De acordo com Katia, ela não é a única na situação. Após buscar respostas da empresa, descobriu um grupo com pelo menos 17 clientes que também afirmam não ter recebido os serviços contratados. Há relatos de consumidores de Macapá, Santana e até do interior do estado.

Tem gente esperando há quase um ano. Muitos têm medo de falar por causa de intimidações, mas o problema é maior do que parece”, afirma.

Grupo de WhatsApp formado por clientes que teriam sido lesados

Segundo ela, um boletim de ocorrência já foi registrado contra a empresa, e há provas como conversas, áudios e registros de ligações que demonstrariam as tentativas de resolução.

A empresária afirma que tentou, por diversas vezes, resolver a situação diretamente com a empresa, sem sucesso. Diante da falta de retorno, decidiu expor o caso nas redes sociais da própria empresa.

“Eu publiquei um vídeo alertando outras pessoas. Não quero que mais ninguém passe pelo que estamos passando”, disse.

Mensagem de suposto advogado tentando intimidar a empresária

Katia também afirma ter recebido uma mensagem de um suposto advogado da empresa antes da publicação, com tom que considerou intimidador.

“Me disseram para não divulgar, sob risco de sofrer sanções. Mesmo assim, decidi publicar”, relatou.

Em notificação extrajudicial enviada à empresária, a empresa ECO Soluções Ltda. reconheceu dificuldades na cadeia de fornecimento, especialmente relacionadas aos painéis solares, mas afirmou que segue em atividade e trabalhando para regularizar os serviços.

No documento, a empresa também solicita que a cliente se abstenha de realizar publicações que possam prejudicar sua imagem, sob pena de medidas judiciais nas esferas cível e penal. Nos comentários da publicação feita por Kátia, outros consumidores relatam experiências semelhantes com a mesma empresa citada.

A empresa

A Eco Soluções LTDA afirmou, em nota, que não abandonou o contrato firmado com a empresária e atribuiu a não instalação do sistema fotovoltaico a uma crise enfrentada pelo setor de energia solar, especialmente no Amapá. Segundo a empresa, há meses o segmento passa por instabilidade operacional e logística, agravada pela dependência de equipamentos vindos das regiões Sul e Sudeste do país, o que tem impactado diretamente prazos de entrega e execução dos serviços .

Ainda de acordo com o posicionamento, a empresa sustenta que tem buscado alternativas para resolver o caso, incluindo tentativas de negociação, readequação de cronograma e até possibilidades de devolução de valores, conforme cada situação. A Eco Soluções afirma que permanece em funcionamento, mantém contato com clientes e tenta construir soluções viáveis, mas ressalta que a conclusão do serviço depende da normalização das condições logísticas que ainda não foram plenamente restabelecidas. LEIA AQUI A NOTA DA ECO ENERGIA SOLAR NA INTEGRA

Seles Nafes
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