Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
Ocorreu na manhã desta terça-feira (10), no Fórum de Macapá, a primeira audiência do processo que apura a morte do ex-presidente do Sindicato dos Taxistas, Leandro de Souza Abreu, de 35 anos. Ele foi baleado durante uma abordagem envolvendo uma equipe de radiopatrulha do 1º Batalhão da Polícia Militar, em maio de 2023, na Travessa G, no bairro Muca, na zona sul da capital. Familiares e amigos realizaram uma manifestação em frente ao fórum pedindo justiça e cobrando a responsabilização dos envolvidos no caso.
Leandro era CAC (Colecionador, Atirador e Caçador) e, no dia do ocorrido, estava como passageiro no banco traseiro de seu próprio táxi. Segundo relatos da família, ele acompanhava um homem que teria furtado a bicicleta de um parente, com o objetivo de recuperar o objeto. A filha da vítima, Leandra Abreu, participou do ato e falou à imprensa sobre a expectativa pela responsabilização dos envolvidos.
“Nós estamos em busca ainda da justiça que não foi decretada, mas temos grande fé em Deus que em breve ela venha. Hoje está tendo a primeira audiência com as testemunhas. Nós não podemos assistir, mas estamos aqui para mostrar apoio e para mostrar que esse caso não caiu no esquecimento”, afirmou.
Questionada se alguém já foi preso pelo caso, ela respondeu:
“Não. Até esse momento ninguém está condenado.”

A família não pôde acompanhar o depoimento das testemunhas. Fotos: Leonardo Melo/Portal SelesNafes.Com (SN)

Leandro Abreu era presidente do Sintaxi. Foto: Reprodução/CMM
Leandra também relembrou as circunstâncias que antecederam a morte do pai.
“Meu pai recebeu a ligação de um primo para ir resgatar uma bicicleta que tinha sido furtada no dia anterior. Eles tinham encontrado a pessoa que furtou. Meu pai foi ajudar a família e, chegando lá, recebeu uma abordagem dos policiais”, relatou.
“Ele se identificou dizendo que era CAC. E nisso os policiais, não sei se não entenderam ou se entenderam, acabaram atirando. Meu pai caiu e faleceu”.
Arma de fogo
A filha também afirmou que, apesar de estar com uma arma de fogo, o pai não reagiu durante a abordagem.
“Ele tinha o porte de arma legal. Em nenhum momento reagiu. Nas imagens das câmeras dá para ver meu pai com as duas mãos para cima e parte da perna ainda dentro do carro”, declarou.

Carro de Leandro é periciado. Foto: Leonardo Melo
A manifestação, segundo a família, teve como objetivo chamar a atenção da sociedade para o caso.
“Estamos aqui para clamar por justiça e mostrar que não vamos deixar que esse caso caia no esquecimento”, concluiu Leandra.
A audiência desta terça-feira marcou o início da fase de oitivas de testemunhas no processo que apura as circunstâncias da abordagem policial que terminou com a morte do taxista.

