Policial é condenado a mais de 11 anos de prisão e à exclusão da PM

Gylvan Endryl, de 24 anos, foi considerado culpado por roubo majorado ocorrido na região da Pedreira, zona rural de Macapá
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Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)

O soldado da Polícia Militar do Amapá, Gylvan Endryl Seixas Barros, de 24 anos, foi condenado a mais de 11 anos de prisão por participação em um assalto à mão armada ocorrido em setembro do ano passado, na região da Pedreira, zona rural de Macapá. A juíza Marina Lustosa, que conduziu o julgamento acompanhada de um conselho de oficiais da PM, rejeitou todas as alegações da defesa, incluindo a de que o militar estaria usando um uniforme antigo da corporação para praticar airsoft.

O julgamento foi realizado no último dia 12 de março, por videoconferência. O soldado está preso no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) desde a época da prisão em flagrante que depois foi transformada em preventiva.

Ao proferir a sentença, a juíza citou trechos da ocorrência registrada pela própria Polícia Militar no momento em que o soldado foi preso junto com um comparsa. De acordo com o processo, o militar tentou usar sua função institucional — ele era lotado no 12º Batalhão de Oiapoque — para dissuadir os policiais de revistarem o carro em que estava.

Dentro do veículo foram encontrados alimentos roubados do estabelecimento, uma bala-clava, uma pistola de airsoft e um armamento pertence à Polícia Militar do Amapá. Ele também estava usando a farda da corporação com o nome de guerra oculto. A defesa havia negado a autoria dos fatos, alegando que o militar utilizava um uniforme antigo em um momento de recreação.

“O interior do veículo é um libelo de provas, com a pistola da corporação no banco do passageiro ao lado de entorpecentes. Ele não apenas utilizou o uniforme, mas usou fita para ocultar seu nome, demonstrando nítida intenção de dificultar a identificação, fato que desmorona a tese de uso casual do uniforme para prática de airsoft na área de mata”, ressaltou a juíza.

Durante o processo, o advogado Lourran Barros também argumentou que seu cliente havia parado no comércio apenas para comprar lanches e que emprestou seu cartão físico ao colega para que efetuasse o pagamento.

“O cartão sequer era do réu, mas de uma terceira pessoa. Não é crível que um agente treinado entregue um cartão para que uma pessoa com roupa camuflada e bala-clava comprasse biscoitos e chocolates”, refutou.

Reconhecimento

A magistrada também destacou que o soldado e o comparsa foram reconhecidos pela vítima — o comerciante —, o que considerou essencial para a comprovação do crime. Para ela, as circunstâncias do caso exigiram uma pena mais severa, principalmente por se tratar de um crime cometido por um agente público, com uso de força, em uma comunidade pacata que sofreu grande abalo social.

Solado na noite em que foi preso. Defesa alegou uso recreativo de um uniforme antigo

…Armamento, drogas e o dinheiro roubado foram apreendidos

Ao final do julgamento, o policial foi condenado a 11 anos e 8 meses de prisão, além da exclusão da Polícia Militar, corporação da qual fazia parte desde 2024. A defesa informou no fim do julgamento que irá recorrer da sentença.

O soldado também responde a outro processo em que é suspeito de envolvimento no homicídio do personal trainer Daniel César Del Castillo, que o ajudava na preparação para o Teste de Aptidão Física (TAF).

O carro que Gylvan Endryl dirigia quando foi preso pertencia ao personal trainer, que foi encontrado morto a tiros um dia antes do assalto.

Seles Nafes
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