Desembargadora diz que juízes caminham para “regime de escravidão”

Enquanto critica cortes do STF, magistrada acumula salário líquido de R$ 91,2 mil, carro oficial e motorista custeados pelo tribunal
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Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), provocou forte repercussão após afirmar, durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal, que magistrados estariam caminhando para um “regime de escravidão” diante da redução de benefícios e verbas extras da categoria. O vídeo com a declaração circulou nas redes sociais

No discurso, a magistrada reclamou das recentes limitações impostas pelo Supremo Tribunal Federal aos chamados “penduricalhos” do Judiciário e disse que colegas já enfrentam dificuldades financeiras.

“Colegas estão deixando de frequentar gabinetes médicos porque não vão poder pagar consultas. Outros estão deixando de tomar remédios. Daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, declarou. 

Eva também afirmou que juízes trabalham além do expediente regular, inclusive em casa e nos fins de semana, e criticou o uso da expressão “penduricalhos” para tratar dos benefícios recebidos por magistrados. 

A repercussão aumentou após a divulgação de dados salariais. Segundo as informações publicadas pela imprensa, Eva do Amaral recebeu em março deste ano remuneração bruta de R$ 117,8 mil. Após os descontos, o valor líquido foi de R$ 91,2 mil.

Também chamou atenção a informação de que a desembargadora conta com carro oficial híbrido e motorista exclusivo, custeados pelo tribunal. O TJPA mantém contrato para locação de veículos e prestação de serviços de motoristas destinados aos desembargadores.

Até o momento, o Tribunal de Justiça do Pará não havia divulgado posicionamento oficial sobre a fala da magistrada.

Seles Nafes
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