Bebida na concentração, salários atrasados e goleada ampliam crise no Oratório

Após derrota por 5 a 1 para o Águia de Marabá, clube amapaense vê bastidores expostos por caso disciplinar e clima de desgaste no elenco
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Por JONHWENE SILVA, de Santana (AP)

A situação do Oratório na Série D do Campeonato Brasileiro, um dos representantes amapaenses na competição, ganhou novos contornos de tensão no último fim de semana. Em campo, a equipe amapaense foi derrotada de forma contundente pelo Águia de Marabá (PA) por 5 a 1, resultado que a mantém na última posição do grupo A5, com apenas três pontos somados e uma sequência de cinco derrotas consecutivas.

Fora das quatro linhas, no entanto, os bastidores chamaram ainda mais atenção. Após a partida, o técnico Thiago Eduardo revelou que dois jogadores foram retirados da relação do jogo após serem flagrados com bebidas alcoólicas durante o período de concentração. Segundo o treinador, a atitude foi considerada incompatível com os valores do clube e motivou a decisão imediata de afastamento para o confronto.

“Nós tivemos goleiro reserva, ele veio pra viagem, só que durante a concentração ele foi pego com bebida alcoólica, dentro do hotel, ele mais um atleta. Isso não condiz com a conduta do clube, é um desrespeito primeiramente a ele, depois a mim, à instituição”, relatou o treinador do Oratório.

Treinador Thiago Eduardo afirmou que atletas flagrados com bebida alcoólica na concentração foram cortados por desrespeitarem a conduta e os valores do clube. Fotos: Giro Esportivo

A situação impactou diretamente no elenco disponível. Já desfalcado, o time viajou com um grupo reduzido e contou com apenas 17 atletas relacionados. Com o corte dos envolvidos, o banco de reservas ficou limitado a quatro jogadores, sem a presença de um goleiro suplente, o que evidenciou ainda mais as dificuldades enfrentadas pela equipe.

Um dos atletas citados no episódio, o goleiro Ronaldo, confirmou a ocorrência, mas apresentou uma versão diferente. De acordo com ele, o caso envolveu cinco jogadores, e apenas os mais jovens teriam sido punidos. O atleta também criticou a condução da situação e afirmou que a decisão do treinador não foi uniforme com todos os envolvidos.

“Não eram só 2 atletas, eram 5. Outra coisa: isso que o técnico diz é pra fazer média com a torcida e tirar o dele da reta. Foi na sexta-feira, e no sábado ia ter treino à tarde. Ele podia resolver ali e levar a gente pro jogo, igual levou os outros 3 envolvidos. Ele sabia que tinha mais jogadores e quis punir só os mais novos”, disse Ronaldo, goleiro do Oratório.

Goleiro Ronaldo contestou a versão do treinador, disse que outros jogadores também participaram do episódio e revelou atrasos salariais no elenco

Além da questão disciplinar, o goleiro trouxe à tona outro problema: atrasos salariais. Ele afirmou que não recebe desde março e indicou que outros jogadores estariam na mesma condição. A declaração contrasta com o posicionamento do técnico, que garantiu que o clube mantém os pagamentos em dia e oferece estrutura adequada aos atletas.

O momento turbulento não é isolado. Em rodadas anteriores, o clima já dava sinais de desgaste interno. Após uma derrota para o Trem, o zagueiro Marcão fez duras críticas ao desempenho e ao comprometimento do elenco, expondo insatisfação com a postura de parte dos jogadores.

Dentro e fora de campo, o Oratório enfrenta um cenário de instabilidade que amplia a pressão por resultados e por respostas da diretoria diante de uma campanha abaixo das expectativas.

Seles Nafes
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