Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Em meio à repercussão da Operação Palanque Digital e às acusações de perseguição política feitas por apoiadores do grupo investigado, a Polícia Federal afirmou que atua de forma imparcial e negou qualquer motivação política nas investigações conduzidas no Amapá. Durante entrevista coletiva, o delegado Bruno Belo declarou que a instituição “persegue o crime”, e não pessoas ou grupos políticos. A manifestação ocorreu após comentários nas redes sociais classificarem a operação como uma suposta perseguição contra aliados do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD).
“O que se verificou não foi a promoção da prefeitura, foi a promoção pessoal do ex-prefeito de Macapá, em clara violação ao princípio da impessoalidade, bem como ataques a opositores políticos”, declarou o delegado.
Ele lembrou que operações envolvendo agentes políticos acontecem em diversos estados. Como exemplo, a corporação citou a oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada também nesta terça-feira (26), no Rio de Janeiro, tendo como alvo o ex-governador Cláudio Castro. A investigação no Rio apura supostos repasses irregulares de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência.
“A Polícia Federal responde de forma muito tranquila, sempre atuando no combate ao crime, sempre atuando de forma imparcial, seja qual for o alvo, e sempre atuando em prol do Estado”, afirmou Bruno Belo.

Delegado Bruno Melo durante a entrevista coletiva. Fotos: Rodrigo Índio/Portal SN
R$ 25 milhões sob investigação
A Operação Palanque Digital investiga o suposto desvio de mais de R$ 25 milhões em recursos públicos para financiar uma estrutura digital voltada à promoção pessoal do então prefeito e ataques contra adversários políticos. Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em Macapá, além de um em Belém e outro em Canela. Duas pessoas foram presas em flagrante durante a operação por crimes previstos no Estatuto do Desarmamento.
Entre os alvos estão políticos, influenciadores digitais, ex-secretários municipais e uma agência de publicidade contratada pela prefeitura. Segundo a PF, as investigações começaram após a identificação de um contrato de publicidade institucional firmado entre a Prefeitura de Macapá e uma empresa de comunicação.

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A investigação apura crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos. Durante a coletiva, Bruno Belo também afirmou que a PF irá investigar internamente um suposto vazamento de informações relacionadas à operação.
“Se tiver ocorrido, a Polícia Federal irá apurar e reprimir essa prática criminosa”, disse.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam dispositivos eletrônicos, dinheiro em espécie, veículos e uma arma de fogo. Segundo a Polícia Federal, o material recolhido deverá auxiliar na identificação da cadeia de comando da suposta organização criminosa investigada.

