Idoso chora após polícia recuperar celular pago em 10 parcelas

Furto ocorreu há mais de 1 ano. Emoção marcou entrega de 122 aparelhos recuperados durante operação da Polícia Civil em Macapá
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

Nas mãos calejadas de quem dedicou sete décadas ao trabalho pesado da elétrica, o tremor desta quarta-feira (6) não era de cansaço, mas de ansiedade. Antenor Pinto de Melo, que completa 70 anos no próximo dia 11 de junho, foi um dos rostos sorridentes durante a entrega de 122 celulares recuperados pela Polícia Civil. Para ele, o aparelho devolvido representava meses de economia e uma ferida aberta há mais de um ano. A história do furto de Antenor é comum, mas o impacto no seu bolso foi singular. Pai de 11 filhos, o eletricista aposentado hoje vive do benefício da previdência, valor que ele confessa não permitir luxos.

“A gente trabalha direto, né? O benefício não dá para comprar um celular assim à vista. Esse aí eu paguei em dez, oito vezes”, relembrou ele, com o olhar perdido nas lembranças do esforço feito para quitar as parcelas.

112 celulares recuperados…

…incluindo do seu Antenor

O crime aconteceu por um “descuido de apaixonado”. Antenor tinha ido comprar um churrasco em uma banca para a namorada. Na pressa de levar o agrado, esqueceu o aparelho no balcão. Quando percebeu e voltou, o vazio já estava instalado. Era o terceiro celular perdido da mesma forma, no mesmo lugar. Diferente das outras vezes, Antenor registrou o Boletim de Ocorrência.

“Já fazia um ano e três meses, ou quatro. Eu já não tinha mais esperança”, admitiu.

Ao receber a notícia de que seu bem havia sido rastreado, a casca grossa do eletricista cedeu. Com os olhos marejados e a voz embargada, ele não escondeu a emoção diante da equipe de reportagem. Entre risos e lágrimas, desabafou:

“Quem é que não fica emocionado? É bom demais. É muito gratificante o trabalho da polícia”.

Delegado geral Daniel Marsili: guardar a nota fiscal após as compras é essencial

..número do IMEI e da nota fiscal ajudam na recuperação e devolução aos donos

Apesar da alegria, o lado cidadão de Antenor cobrou firmeza. Ele quer que não apenas o aparelho seja recuperado, mas que ladrões e receptadores sintam o peso da lei. O caso de seu Antenor faz parte de um número expressivo. Apenas na capital, mais de mil ocorrências de perda, roubo e furto de celulares foram registradas em 2026.

A devolução em massa ocorrida hoje é fruto da Operação Restitutio, que concentrou esforços das delegacias de bairro e coordenadorias nos meses de março e abril.

Segundo o delegado-geral, Daniel Marsili, o foco é mitigar o prejuízo das vítimas e aproximar a instituição da sociedade. Para que histórias como a de Antenor tenham um final feliz, o delegado reforça a importância de dados técnicos, como registro de ocorrência, nota fiscal e o IMEI: esse código de 15 dígitos (encontrado na caixa, na nota ou digitando *#06# no aparelho) é a “impressão digital” que permite o rastreio.

“A gente consegue rastrear através desse IMEI, chegar na pessoa com quem o aparelho está e recuperá-lo. Quem compra sem nota é indiciado por receptação”, alertou Marsili.

Para Antenor, o “presente de aniversário” antecipado chegou antes do dia 11 de junho. Ele volta para casa com o celular no bolso e a dignidade de quem viu seu suor ser valorizado pela Justiça.

Seles Nafes
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