Por OLHO DE BOTO, de Macapá (AP)
Uma execução planejada nos bastidores da guerra entre facções criminosas terminou com uma jovem de 24 anos morta com tiros na cabeça diante da própria filha de apenas 8 anos. Agora, quase um ano após o crime, a Polícia Civil do Amapá cumpriu mandado de prisão preventiva contra o homem apontado como mentor da execução. A investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) identificou Vinícius Souza de Souza, conhecido pelos apelidos de “Gordo” e “Coxinha”, como o mandante do assassinato de Rogeth Cardoso de Souza, ocorrido em julho de 2025, no bairro Araxá, zona sul de Macapá.
Segundo o delegado José Mário, a morte foi decretada em meio à disputa pelo controle do tráfico de drogas. Rogeth e o companheiro haviam se mudado do município de Portel, no Pará, para uma área em Macapá dominada pela facção Família Terror do Amapá (FTA), aliada ao PCC. A presença do casal, apontado como ligado ao Comando Vermelho (CV), teria sido considerada uma afronta pelos criminosos que controlavam a região.

19 de julho de 2025: Jovem tinha chegado com o marido e filhos de Portel (PA). Fotos: Olho de Boto/SN
As investigações revelam que, horas antes da execução, integrantes da facção invadiram a residência da vítima e tomaram os celulares do casal para vasculhar mensagens e redes sociais em busca de provas da ligação com a organização rival. Após a “checagem”, os aparelhos foram devolvidos e os suspeitos deixaram o local.
Etapas do homicídio
Mas aquela seria apenas a primeira etapa do plano. No fim da tarde, enquanto o companheiro da vítima estava fora trabalhando, dois homens armados voltaram ao imóvel. Rogeth estava com os filhos de 5 e 8 anos quando percebeu a invasão.
Desesperada, ela tentou correr para um dos quartos, mas foi atingida pelas costas. Já caída, foi executada com vários tiros na cabeça. Toda a cena aconteceu na frente da filha de 8 anos.

FTA acreditava que casal tinha ligações com o CV
Moradores ouviram uma sequência de disparos e, instantes depois, viram dois homens fugindo armados pelas passarelas da área. Testemunhas apontaram os suspeitos pelos apelidos de “Nego Jão” e “China”, conhecidos na região por atuarem como executores da facção.
A perícia recolheu nove cápsulas de munição calibre .380 e confirmou que a vítima sofreu ferimentos fatais na região da cabeça, característica típica de execução. Para a DHPP, o crime foi premeditado, motivado pela disputa entre facções e executado sem qualquer chance de defesa para a vítima. A investigação concluiu que Vinícius coordenou toda a ação criminosa e determinou a morte de Rogeth por ela ser considerada integrante de um grupo rival.
Após o assassinato, o suspeito fugiu para o interior do Pará. Mesmo assim, acabou alcançado pela investigação. O mandado de prisão preventiva foi expedido pela Justiça e cumprido dentro do Iapen, onde ele já estava preso por outros crimes. Embora os autores dos disparos tenham sido identificados durante as investigações, ambos eram menores de idade na época do crime. Por isso, a responsabilização deles seguirá em procedimento próprio na delegacia especializada.
Para a polícia, o assassinato expõe mais um capítulo da guerra entre facções criminosas que disputam territórios e deixam um rastro de mortes, medo e famílias destruídas.

