Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O Ministério Público do Amapá cumpriu mandados de busca e apreensão, na tarde desta quarta-feira (6), a pedido do ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan (PSD). A operação atende a uma representação da defesa que tenta anular um processo que pode torná-lo inelegível. O Gaeco fez buscas no setor de protocolo da Câmara Municipal e na prefeitura. A defesa alega irregularidades no protocolo de uma representação apresentada contra Furlan na véspera de sua renúncia ao cargo — ponto considerado decisivo para eventual inelegibilidade.
Em nota enviada ao Portal SN, a Câmara afirmou ter sido surpreendida pela operação, realizada por volta das 12h, e confirmou que a ação tem como base denúncia apresentada pelo ex-prefeito. Segundo a presidente da Casa, Margleide Alfaia, a acusação sustenta uma narrativa de suposta falsificação com o objetivo de descredibilizar a representação protocolada contra ele.

Pedidos feitos pela defesa no dia 27 de março
A presidente informou que determinou colaboração imediata com os investigadores. Todos os acessos foram liberados e os documentos requisitados entregues às autoridades. Ainda de acordo com a Câmara, os trabalhos legislativos seguem normalmente, sem interrupção, e a instituição reafirmou confiança nos órgãos de controle e no esclarecimento dos fatos.
Prefeitura diz que não é alvo
Também em nota, a Prefeitura de Macapá informou que foi comunicada previamente sobre o cumprimento das medidas e que adotou postura de colaboração desde o início. A gestão destacou que a investigação não tem relação com a administração atual e reforçou o compromisso com a legalidade e a transparência na condução dos atos públicos.

Equipe do Gaeco deixa Câmara e segue para a prefeitura. Fotos: Reprodução
O foco da investigação está na data de protocolo da representação apresentada contra Furlan. Seis servidores já prestaram depoimento afirmando que o documento foi entregue no dia 4 de março, mas que só foi protocolado no sistema no dia 11, seguindo um fluxo que seria normal do legislativo. O entendimento da Justiça Eleitoral é de que a inelegibilidade pode ser configurada caso a renúncia ocorra após a formalização de uma denúncia capaz de dar início a um processo de cassação.
A defesa do ex-prefeito sustenta que houve manipulação no sistema da Câmara para registrar a denúncia como anterior à renúncia. O resultado da perícia e da análise dos materiais apreendidos pode definir o rumo do processo que corre em sigilo. A defesa do ex-prefeito ainda não e pronunciou.

