EDITORIAL – O ex-prefeito afastado Antônio Furlan (MDB) vem arriscando alto em uma estratégia para tentar amenizar os efeitos desgastantes da 6ª operação da Polícia Federal contra ele, desde 2021. Ao decidir pelo silêncio sobre as acusações de que alimentou ao preço de R$ 25 milhões da prefeitura uma rede de fake news contra adversários, o ex-gestor e pré-candidato ao governo usa um discurso curto e cheio de contorcionismos para criar a imagem de uma vítima perseguida politicamente. Em parte funciona. No entanto, basta ler os comentários nas reportagens (de pessoas reais) sobre os inquéritos para perceber o crescimento da quantidade de pedidos para que ele responda às acusações.
1ª operação (Carburante)
Em 2021, logo no início do mandato, a Secretaria Municipal de Saúde de Furlan foi alvo da Operação Caburante, que investigou desvio de dinheiro e gasolina.
2ª Operação (E-Hailing)
Em julho de 2022, na Operação E-Hailing, houve o cumprimento de mandados na prefeitura, na residência de Furlan e em endereços ligados ao irmão e promotor (hoje afastado) João Furlan, investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A operação, que rendeu processo hoje com maioria pela condenação no TSE, investigou compra de votos nas eleições de 2020. Entre 2022 e maio de 2026 foram mais quatro operações.

Julho de 2022: Operação E-Hailing. Fotos: Arquivo Portal SN/PF Divulgação
3ª operação (Operação Plattea)
Dois anos depois veio a Operação Plattea, em setembro de 2024, que marcou o início das investigações sobre desvios na obra de R$ 10 milhões da Praça Jacy Barata, na orla de Macapá. Usando a estratégia de vitimização nas redes sociais, que agora são investigadas pela PF por receberem R$ 25 milhões, ele foi reeleito com 85% dos votos.

Setembro de 2024. Equipes cumprem mandados na Semob por suspeitas de desvios na obra da Praça Jacy Barata. Foto: Leonardo Melo/SN
4ª operação (Paroxismo I)
Em setembro de 2025 ocorreu a Operação Paroxismo, que apura o desvio de dinheiro da construção do Hospital Municipal de Macapá, orçado em R$ 70 milhões. Além de Furlan, foram alvos endereços ligados à construtora Santa Rita Engenharia.

Em março de 2026 começa a Operação Paroxismo…Foto: PF/Divulgação

…Por desvios e fraude na licitação da obra do Hospital Municipal

Empresário Rodrigo Queiroz, dono da Santa Rita Engenharia, saca R$ 400 mil que depois seriam transportados em carro do então prefeito

5ª operação (Paroxismo II)
Furlan foi novamente alvo de diligências em março de 2026, em mais uma fase da Operação Paroxismo, quando foi afastado do cargo a pedido da Polícia Federal. Para tentar escapar de um impeachment na Câmara Municipal, que já tinha recebido um pedido de investigação, ele renunciou ao mandato e hoje tenta anular na Justiça o protocolo da denúncia no Legislativo.

Na 5ª operação, a Paroxismo II, policiais foram a 13 endereços ligados ao prefeito, vice, secretária e empresários
6ª operação (Palanque Digital)
Ontem (26), o ex-prefeito foi um dos 35 alvos de buscas na Operação Palanque Digital, que atingiu o coração do mecanismo que lhe dá sustentação política e mantém um público fiel a ele nas redes sociais, apesar de todo o silêncio que envolve diversos inquéritos e processos em andamento que apuram atos de corrupção em suas gestões.
Depois de divulgar um vídeo em que aparece visivelmente abatido, Furlan repetiu a fórmula de tentar trocar de lugar com a verdadeira vítima: o eleitor, que espera por respostas concretas.

27 de maio de 2026, a 5ª operação: residência do ex-prefeito foi novamente alvo de busca e apreensão, desta vez na Palanque Digital
