Por ANDERSON MELO, de Macapá (AP)
A Secretaria Municipal de Saúde de Macapá iniciou um levantamento para identificar possíveis irregularidades na folha de pagamento, incluindo a existência de profissionais que estariam recebendo sem comprovação de trabalho. A medida foi apresentada pela secretária interina de Saúde, Renilda Costa, durante esclarecimentos à Câmara de Vereadores, nessa terça-feira (5), após questionamentos sobre exonerações e pagamentos na rede municipal.
À frente da pasta há cerca de 60 dias, Renilda Costa foi nomeada pelo prefeito interino Pedro Dalua após o afastamento do prefeito Antônio Furlan (PSD) e do vice-prefeito Mário Neto (Podemos). O afastamento foi determinado em 4 de março de 2026 a pedido da Polícia Federal.
A Semsa passou a suspeitar da inclusão de servidores na folha sem comprovação de atuação nas unidades de saúde. Segundo a secretária interina, os indícios surgiram após inconsistências no número de servidores informados pelas unidades.
“Quando chegamos na gestão nos deparamos com um grande número de servidores na saúde. Então marquei uma visita na UBS do Perpétuo Socorro. Na unidade fomos informados que havia 452 funcionários. Mas será que temos realmente isso lá?”, declarou.

Secretária Renilda Costa: levantamento está sendo feito com diretores
A partir do caso, a Secretaria ampliou a verificação para toda a rede municipal.
“Isso me acendeu um alerta. Então começamos a levantar o quantitativo em todas as unidades básicas de saúde de Macapá e conseguimos constatar que havia profissionais que não estavam trabalhando, mesmo fazendo parte da folha de pagamento. Funcionários cuja folha de ponto não chegava à Semsa”, afirmou.
Diante das inconsistências, a gestão realizou uma força-tarefa com diretores das unidades e decidiu suspender pagamentos a partir do dia 20 de abril.
“Como não identificamos alguns servidores, estabelecemos a suspensão do pagamento para que sejam buscados mais detalhes sobre o destino desses profissionais”, explicou a secretária interina.
A medida, no entanto, pode ter atingido servidores que afirmam ter exercido regularmente suas funções. A própria gestora reconheceu a possibilidade de falhas no processo.
“Se houve alguma falha administrativa no pagamento de servidores que trabalham, os diretores das unidades irão nos informar, mas o foco são os servidores que recebem sem trabalhar”, disse.
Para esses casos, a Secretaria informou que será feita uma folha complementar.
“Nesse processo, alguns servidores trabalharam os 30 dias e não receberam o salário completo. Então, os que comprovarem que estavam trabalhando, com validação dos diretores por meio da folha de ponto, serão pagos através de uma folha complementar no dia 10 deste mês”, afirmou.
A checagem da quantidade de servidores fantasmas continua em todas as unidades, por isso os números ainda não foram divulgados.

