Ao ser condenado por matar irmãos, ex-tenente da PM deixa fórum e desaparece

Condenado a 16 anos e 4 meses de prisão em novo julgamento realizado em março deste ano, Alex Alfaia saiu do fórum antes da leitura completa da sentença
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

Três meses após ser novamente condenado pelo assassinato dos irmãos Marcelo e William da Costa Sidônio, o ex-tenente da Polícia Militar do Amapá, Alex Alfaia de Almeida, é considerado foragido da Justiça. O mandado de recaptura consta como “pendente de cumprimento” no Portal do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e tem validade até abril de 2046. O crime ocorreu em janeiro de 2012, no estacionamento de um balneário no distrito da Fazendinha, em Macapá. Após mais de uma década de idas e vindas judiciais, a sensação de impunidade voltou a assombrar os familiares das vítimas.

O ex-policial voltou ao banco dos réus no dia 9 de março de 2026, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anular o primeiro júri, realizado em 2016, para a análise de novas provas apresentadas pela defesa. No novo julgamento, o Conselho de Sentença rejeitou a tese de absolvição e confirmou as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas. A juíza Lívia Simone Oliveira de Freitas Cardoso fixou a pena definitiva em 16 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de determinar a perda imediata do cargo público na Polícia Militar.

Irmãos foram mortos dentro de um táxi após confusão com policiais

Com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a execução imediata das condenações impostas pelo Tribunal do Júri, a magistrada determinou a prisão do réu logo após a leitura da sentença. No entanto, Alex Alfaia já havia deixado o prédio do fórum.

“Acompanhei até o final do julgamento, que terminou passava das duas da manhã. Ele simplesmente saiu antes de finalizar a sentença, porque obviamente o advogado já tinha avisado sobre a condenação. Desde então ele não foi localizado. É revoltante”, desabafa Queila Sidônio, irmã das vítimas.

Alex Alfaia chegou a cumprir o início da pena em 2024 no Centro de Custódia

O crime

O caso teve início na manhã de 21 de janeiro de 2012, quando os irmãos Marcelo, de 20 anos, e William da Costa Sidônio, de 27 anos, foram baleados após um desentendimento com um grupo de policiais em um balneário da Fazendinha. As vítimas tentavam deixar o local em um táxi quando foram atingidas pelos disparos. Quatro anos depois, em maio de 2016, Alex Alfaia enfrentou o primeiro julgamento e foi condenado a 16 anos de prisão e à perda do empregoir, decisão da qual a defesa recorreu.

Em junho de 2019, após ter a prisão decretada e ser considerado foragido, o então tenente apresentou-se no Ciosp do Pacoval e foi recolhido ao Centro de Custódia do bairro Zerão para iniciar o cumprimento da pena. A execução da condenação seguiu até 2024, quando o Superior Tribunal de Justiça acolheu recurso da defesa, interrompeu o cumprimento da pena e determinou a realização de um novo julgamento com base em novas provas.

O novo desfecho ocorreu em março de 2026, culminando em outra condenação e, posteriormente, no desaparecimento do ex-militar antes do cumprimento do mandado de prisão.

Queila, irmã das vítimas: Uma pessoa assim não some sem deixar rastro

Dor

Para os parentes dos irmãos Sidônio, reviver o julgamento mais de uma década após o crime foi um processo doloroso. A nova fuga do condenado agravou ainda mais o sentimento de desamparo. A família informou que já acionou o Ministério Público e a Promotoria para cobrar providências urgentes sobre o paradeiro do ex-policial.

“Para a gente foi um choque saber que ele fugiu. Foi muito doloroso estar frente a frente com o assassino dos meus irmãos de novo e reviver tudo. O que a gente quer agora é uma resposta do Comando-Geral da Polícia e do Ministério Público. Uma pessoa não some assim sem deixar rastro. Queremos que ele seja capturado para pagar pelo que fez”, disse Queila Sidônio, irmã das vítimas.

A defesa de Alex Alfaia de Almeida já apresentou novo recurso contra a condenação de março de 2026. A apelação será analisada pelo Tribunal de Justiça do Amapá (TJ-AP). Enquanto isso, a família das vítimas segue aguardando a captura do condenado e o desfecho definitivo do caso.

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